Publicado em: 13/05/2026 às 11:07hs
O mercado brasileiro de milho voltou a registrar um cenário de negócios limitados nesta semana, influenciado pela volatilidade da Bolsa de Mercadorias de Chicago, pelo comportamento do câmbio e pela cautela dos agentes diante da evolução da safra de verão e da safrinha no Brasil e na América do Sul.
Com o dólar oscilando próximo de R$ 4,90 e sem força consistente de suporte às cotações internas, produtores e consumidores seguem em posições divergentes, o que mantém o ritmo de comercialização travado em diversas praças do país.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho opera sem direção definida, alternando altas e baixas ao longo do pregão. O contrato julho/26 registrou leve avanço de 0,10%, cotado a US$ 4,80 1/2 por bushel, refletindo a leitura do último relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O mercado internacional segue repercutindo projeções de oferta global mais ajustada para a próxima temporada, embora o cenário ainda seja de cautela, com investidores monitorando clima e produtividade nas principais regiões produtoras.
No câmbio, o dólar comercial apresentou alta moderada de 0,32%, cotado a R$ 4,9090, enquanto o Dollar Index avançou 0,29%, a 98,589 pontos, indicando leve fortalecimento da moeda norte-americana no cenário global.
Apesar disso, o movimento não tem sido suficiente para sustentar altas mais consistentes no mercado interno de milho.
No cenário internacional, bolsas asiáticas fecharam em alta, enquanto a Europa apresentou desempenho misto. Já o petróleo recuou, com o WTI para julho cotado a US$ 98,26 por barril (-0,23%), adicionando mais um elemento de incerteza ao ambiente de commodities.
Na terça-feira, o mercado físico de milho no Brasil registrou mais um dia de negociações reduzidas, com compradores atuando de forma cautelosa e vendedores ainda resistentes em ajustar pedidas.
A atenção esteve voltada principalmente ao relatório do USDA, enquanto o mercado doméstico continua apostando em possível pressão de baixa com o avanço da safrinha.
O clima também segue no radar, especialmente após registros de temperaturas próximas de 0°C no Sul do país, embora até o momento não haja relatos de impactos relevantes sobre a cultura do milho.
As indicações de preços seguem espalhadas entre as principais regiões produtoras:
O cenário reforça a diferença entre regiões consumidoras e produtoras, com maior pressão de oferta no Centro-Oeste e preços mais firmes próximos aos portos.
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros de milho encerraram a sessão em movimento misto, refletindo a combinação de clima, câmbio e expectativas de oferta.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado ainda não precificou totalmente o aumento da oferta projetado para o Brasil e a Argentina pelo USDA, o que mantém viés de pressão no médio prazo.
No Sul do Brasil, a colheita avança em ritmo acelerado. No Rio Grande do Sul, cerca de 95% da área já foi colhida, com produtividade irregular em função da distribuição das chuvas.
Em Santa Catarina, a colheita atinge 99% da área, enquanto o Paraná também registra avanço próximo da finalização da primeira safra, com a segunda safra beneficiada por chuvas recentes.
No Mato Grosso do Sul, a maior oferta e a cautela dos compradores seguem pressionando o mercado, com indicações entre R$ 54,00 e R$ 55,05 por saca.
O mercado segue atento ao desenvolvimento da safrinha brasileira e ao avanço da produção na Argentina, fatores que podem aumentar a oferta regional e limitar movimentos de alta nos preços nas próximas semanas.
Em um ambiente de baixa liquidez, câmbio lateral e Chicago volátil, o milho tende a seguir com negociações pontuais e forte dependência do clima e das atualizações de oferta global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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