Milho recua no Brasil e em Chicago com pressão do dólar, clima favorável nos EUA e expectativa pelo relatório do USDA
Mercado acompanha queda dos contratos futuros, avanço da colheita da safrinha e aumento da oferta, enquanto investidores aguardam os novos números de produção e estoques dos Estados Unidos.
Publicado em: 09/07/2026 às 12:35hs
O mercado de milho iniciou o dia sob pressão nos mercados brasileiro e internacional. A combinação entre a queda do dólar, o recuo dos contratos futuros na Bolsa Brasileira (B3), a desvalorização em Chicago e o avanço da colheita da segunda safra mantém compradores cautelosos e reduz o ritmo das negociações no mercado físico.
No cenário externo, investidores realizam lucros após a recente valorização das cotações e direcionam as atenções para a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para esta sexta-feira (10). Ao mesmo tempo, previsões climáticas mais favoráveis para o Meio-Oeste norte-americano diminuem o prêmio de risco climático incorporado aos preços.
Mercado brasileiro segue travado com avanço da safrinha
Segundo análises da TF Agroeconômica e da Safras & Mercado, o mercado doméstico permanece com baixa liquidez. Produtores aguardam melhores oportunidades de venda, enquanto consumidores apostam no aumento da oferta proporcionado pelo avanço da colheita da safrinha.
Na B3, os contratos futuros encerraram a sessão em baixa. O vencimento julho/2026 fechou cotado a R$ 64,90 por saca, enquanto setembro terminou em R$ 68,02 e novembro em R$ 71,21, refletindo o movimento negativo observado em Chicago e a valorização do real frente ao dólar.
O cenário reforça a expectativa de estabilidade nos preços internos no curto prazo, já que o mercado permanece abastecido e a perspectiva de uma segunda safra robusta reduz a necessidade de compras imediatas.
Preços do milho variam entre as principais regiões produtoras
Nas principais praças agrícolas, as cotações seguem relativamente estáveis, embora com diferenças importantes entre regiões.
No Rio Grande do Sul, as indicações variam entre R$ 56 e R$ 65 por saca, com média estadual próxima de R$ 59,08, refletindo uma oferta confortável e demanda moderada.
Em Santa Catarina, vendedores pedem cerca de R$ 65 por saca, enquanto compradores ofertam valores próximos de R$ 60, mantendo reduzido o volume de negócios.
No Paraná, referência nacional na produção de milho safrinha, os preços permanecem próximos de R$ 60 por saca, diante de ofertas de compra ao redor de R$ 55 CIF. A colheita avança lentamente devido às chuvas frequentes e à elevada umidade dos grãos.
Já em Mato Grosso do Sul, as cotações oscilam entre R$ 48,67 e R$ 50,20 por saca. A ampliação da oferta pressiona os preços, embora a demanda das usinas de bioenergia continue oferecendo sustentação parcial ao mercado regional.
Nos portos, Santos registrou negociações entre R$ 65 e R$ 69 por saca (CIF), enquanto Paranaguá apresentou valores entre R$ 64,50 e R$ 68.
Outras referências de mercado incluem:
- Cascavel (PR): R$ 58 a R$ 60;
- Campinas (SP): R$ 65 a R$ 66 CIF;
- Mogiana (SP): R$ 57 a R$ 58;
- Erechim (RS): R$ 67 a R$ 69;
- Uberlândia (MG): R$ 58 a R$ 60;
- Rio Verde (GO): R$ 54 a R$ 55 CIF;
- Rondonópolis (MT): R$ 54 a R$ 56 por saca.
Chicago recua antes do relatório do USDA
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho encerraram mais uma sessão em baixa.
O contrato para setembro fechou cotado a US$ 4,35 por bushel, com queda de 1,97%, enquanto dezembro encerrou a US$ 4,56 1/4 por bushel, acumulando perda de 1,72%.
O movimento foi impulsionado principalmente pela realização de lucros após as recentes altas, além das previsões de chuvas mais abrangentes e temperaturas moderadas nas áreas produtoras do Meio-Oeste dos Estados Unidos.
As condições climáticas mais favoráveis ocorrem justamente durante o período de polinização das lavouras, considerado decisivo para a definição da produtividade da safra norte-americana.
Relatório do USDA concentra as atenções do mercado
O principal fator de expectativa permanece a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA.
Analistas internacionais esperam que o órgão revise levemente para baixo a produção norte-americana de milho da temporada 2026/27, estimando uma safra de 15,967 bilhões de bushels, abaixo da previsão anterior de 15,995 bilhões.
Os estoques finais também deverão ser reduzidos para aproximadamente 1,855 bilhão de bushels, frente aos 1,957 bilhão projetados anteriormente.
Caso as revisões confirmem uma redução maior que a esperada, o mercado poderá encontrar suporte para uma recuperação técnica das cotações nos próximos dias.
Produção de etanol também influencia as cotações
Outro fator acompanhado pelos investidores foi o desempenho da indústria norte-americana de etanol.
Dados da Administração de Informação de Energia (AIE) mostraram queda de 2,14% na produção semanal, que passou para 1,093 milhão de barris por dia.
A contrapartida, os estoques recuaram 3,23%, enquanto as exportações de etanol avançaram quase 59% na comparação semanal, indicando demanda internacional mais aquecida.
Mesmo assim, o mercado avaliou que a redução da produção representa um sinal de menor consumo interno de milho destinado à fabricação de biocombustíveis.
Dólar mais fraco amplia pressão sobre o mercado brasileiro
No mercado cambial, o dólar comercial voltou a recuar frente ao real, sendo negociado próximo de R$ 5,14.
A valorização da moeda brasileira reduz a competitividade das exportações e contribui para pressionar as cotações domésticas do milho, especialmente em um momento de aumento da oferta com a chegada da safrinha ao mercado.
Perspectivas para o milho
O mercado de milho deve permanecer sensível aos próximos acontecimentos, especialmente ao ritmo da colheita da segunda safra brasileira, às condições climáticas nos Estados Unidos e aos dados oficiais do USDA.
Enquanto a oferta brasileira cresce e limita reações de preços no mercado interno, qualquer mudança relevante nas estimativas da safra norte-americana poderá alterar rapidamente o comportamento das bolsas internacionais e influenciar a formação dos preços no Brasil nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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