Publicado em: 15/05/2026 às 11:00hs
O mercado internacional do milho iniciou esta sexta-feira (15) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), ampliando as perdas registradas na sessão anterior diante da frustração dos investidores com a ausência de novos acordos comerciais entre Estados Unidos e China. Além da demanda mais fraca pelo cereal norte-americano, o avanço das projeções de safra no Brasil e na Argentina também intensifica a pressão sobre os preços globais.
Os contratos futuros operaram no campo negativo durante a manhã. O vencimento julho/26 era negociado a US$ 4,63 por bushel, com baixa de 3,75 pontos. O setembro/26 recuava para US$ 4,70, enquanto o dezembro/26 era cotado a US$ 4,87. Já o março/27 trabalhava em US$ 5,01 por bushel, acumulando perdas de 3,25 pontos.
Analistas internacionais destacam que o mercado reagiu negativamente ao encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, encerrado sem anúncios concretos relacionados ao comércio agrícola. A expectativa de parte dos investidores era de que a reunião pudesse destravar novos volumes de compras chinesas de grãos norte-americanos, especialmente soja e milho.
Segundo análise divulgada pelo portal Successful Farming, a ausência de um acordo formal aumentou a insegurança entre operadores e fundos de investimento, que esperavam sinais mais claros de retomada da demanda chinesa.
Além das incertezas geopolíticas, os dados semanais de exportação dos Estados Unidos também reforçaram o viés baixista para o milho em Chicago.
As vendas líquidas norte-americanas para a safra 2025/26 somaram 684,8 mil toneladas na semana encerrada em 7 de maio, abaixo das expectativas do mercado, que projetavam embarques entre 900 mil e 2,2 milhões de toneladas considerando as duas temporadas analisadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O México liderou as aquisições, com 232 mil toneladas. Para a temporada 2026/27, foram registradas apenas 400 toneladas em novas vendas, evidenciando um ritmo mais lento da demanda internacional.
Outro fator de pressão foi a valorização do dólar frente às principais moedas globais, movimento que reduz a competitividade do milho norte-americano no mercado externo.
Diante desse cenário, os contratos encerraram a última sessão em forte baixa. O milho julho fechou cotado a US$ 4,67 1/2 por bushel, queda de 13,25 centavos, equivalente a 2,75%. O vencimento setembro terminou a US$ 4,74 1/4, com recuo de 13 centavos.
No mercado brasileiro, a combinação entre avanço da colheita, aumento das estimativas de produção e baixa liquidez também mantém o setor pressionado.
De acordo com a TF Agroeconômica, a Bolsa Brasileira (B3) encerrou a quinta-feira em movimento misto, mas ainda sob influência negativa de Chicago, do dólar abaixo de R$ 5,00 e das revisões positivas para as safras da América do Sul.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa da safra brasileira de milho de 139,57 milhões para 140,17 milhões de toneladas. Apesar do aumento da produção, a projeção de exportação foi mantida em 46,5 milhões de toneladas.
Na Argentina, o ajuste foi ainda mais significativo. A produção foi revisada para 68 milhões de toneladas, incremento de 1 milhão de toneladas sobre a projeção anterior e cerca de 30% acima do recorde histórico do país, ampliando a concorrência no mercado internacional.
Na B3, os contratos futuros encerraram o dia sem direção única. O vencimento maio/26 fechou a R$ 65,22 por saca, com leve baixa diária de R$ 0,01 e perda semanal acumulada de R$ 0,80.
O julho/26 terminou cotado a R$ 67,02, recuo de R$ 0,08 no dia. Já o setembro/26 encerrou a R$ 69,94 por saca, queda diária de R$ 0,26, mas ainda acumulando valorização semanal.
Nos estados produtores, o mercado físico segue lento, com compradores retraídos e produtores evitando negociações mais agressivas.
No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 94% da área cultivada, enquanto os preços médios ficaram em R$ 58,08 por saca. Em Santa Catarina, vendedores mantêm pedidas próximas de R$ 70,00, mas compradores indicam valores ao redor de R$ 65,00, travando os negócios.
No Paraná, a expectativa de uma segunda safra robusta mantém a demanda mais cautelosa, com negociações próximas de R$ 60,00 CIF. Em Mato Grosso do Sul, o avanço da oferta pressionou ainda mais as cotações, que variam entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca.
O setor acompanha agora os próximos desdobramentos das relações comerciais entre Estados Unidos e China, além do comportamento do dólar e das condições climáticas na América do Sul e nos EUA.
A expectativa de uma oferta global mais ampla, combinada à demanda internacional mais lenta, mantém o viés de pressão sobre os preços do milho no curto prazo, tanto no mercado internacional quanto na comercialização doméstica brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias