Publicado em: 23/03/2026 às 11:30hs
Os preços do milho seguem sustentados tanto no mercado interno quanto no externo, porém com baixa liquidez e um ambiente de incertezas. No Brasil, produtores permanecem concentrados nas atividades de campo, o que reduz o volume de negociações, mesmo diante de uma demanda aquecida por parte de compradores interessados na recomposição de estoques.
Apesar desse suporte, o ritmo de negócios continua limitado. As incertezas no cenário geopolítico global e as preocupações com a logística nacional — especialmente diante de riscos de paralisações no transporte — reforçam uma postura mais cautelosa entre os agentes do mercado.
No mercado externo, os preços do milho vinham sendo impulsionados pela forte demanda dos Estados Unidos e pela valorização do petróleo, fator que aumenta a competitividade do etanol produzido a partir do cereal.
Por outro lado, esse movimento de alta encontra resistência. Persistem preocupações com a área de plantio nos Estados Unidos, já que os custos elevados de insumos, como fertilizantes e combustíveis — intensificados por tensões envolvendo Estados Unidos e Irã — podem impactar a produção.
Nesta segunda-feira (23), os contratos futuros do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) operam em queda. O movimento ocorre após o adiamento de ataques dos Estados Unidos ao Irã, reduzindo a aversão ao risco nos mercados globais.
Os principais vencimentos registraram perdas:
A melhora no diálogo entre os países pressionou os preços do petróleo, que recuaram de forma significativa, retirando parte do suporte indireto ao milho via setor de biocombustíveis.
No Brasil, a Bolsa Brasileira (B3) seguiu a tendência internacional, com os contratos futuros do milho operando em baixa na manhã desta segunda-feira.
As cotações variavam entre R$ 70,89 e R$ 75,60:
Mesmo com a pressão negativa no dia, o câmbio ainda oferece suporte pontual aos preços, influenciando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
Ao longo da última semana, o mercado de milho apresentou oscilações, refletindo a combinação de fatores internos e externos. Apesar de um fechamento pontualmente positivo em pregões recentes, o saldo semanal foi negativo, pressionado pela baixa liquidez no mercado físico e pela desaceleração sazonal das exportações.
Indicadores reforçam esse cenário:
A volatilidade global segue como fator determinante, mantendo investidores em posição defensiva.
No mercado físico, o ritmo de negociações continua lento em diversas regiões do país, com particularidades locais influenciando os preços e a liquidez.
Já no Mato Grosso do Sul, após quedas recentes, os preços ensaiam recuperação, sustentados pela demanda do setor de bioenergia. Ainda assim, o ambiente permanece competitivo, com negociações pontuais e atuação seletiva dos compradores.
O mercado de milho deve continuar reagindo à combinação de fatores geopolíticos, cambiais e logísticos. A volatilidade internacional, aliada às incertezas sobre produção e custos, tende a manter os agentes cautelosos no curto prazo.
No Brasil, o avanço da colheita, o comportamento do dólar e eventuais entraves logísticos serão determinantes para o ritmo de comercialização nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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