Milho e Sorgo

Milho no Brasil: preços estáveis na casa dos R$ 69/sc com pressão da safrinha e baixa demanda

Mercado do milho registra queda recente na B3, ritmo lento de comercialização e influência do câmbio e da safra de inverno nas cotações


Publicado em: 13/04/2026 às 11:30hs

Milho no Brasil: preços estáveis na casa dos R$ 69/sc com pressão da safrinha e baixa demanda
Preço do milho segue estável, mas com viés de baixa no mercado interno

O mercado de milho no Brasil mantém relativa estabilidade em abril, com o indicador do Cepea girando em torno de R$ 69,00 por saca de 60 kg, apesar de leves recuos recentes.

Segundo pesquisadores do Cepea, a pressão sobre os preços vem principalmente da postura cautelosa dos compradores, que têm atuado de forma retraída nas negociações. Muitos agentes já possuem estoques e aguardam possíveis quedas mais acentuadas no curto prazo.

Do lado da oferta, produtores passaram a demonstrar maior interesse em negociar, chegando a reduzir valores em alguns momentos para viabilizar vendas.

Fatores que explicam a pressão sobre os preços do milho

A recente acomodação nas cotações é resultado de um conjunto de fatores:

  • Queda do dólar, reduzindo a paridade de exportação
  • Avanço da colheita da safra de verão
  • Melhora das condições climáticas, com retorno das chuvas em regiões produtoras da segunda safra
  • Demanda enfraquecida no mercado interno

Esse cenário contribui para um mercado mais ofertado no curto prazo e com menor competitividade externa.

Mercado futuro do milho recua mais de 4% na semana

Na B3, os contratos futuros de milho registraram quedas expressivas ao longo da última semana, refletindo tanto o cenário externo quanto o doméstico.

Entre os principais vencimentos:

  • Maio/26: cerca de R$ 68,27 por saca
  • Julho/26: aproximadamente R$ 68,60 por saca
  • Setembro/26: próximo de R$ 69,40 por saca

As perdas acumuladas superaram 4,5% na semana, influenciadas pela queda das cotações em Chicago e pela valorização do real, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Safrinha entra no radar e aumenta cautela do mercado

As atenções do mercado já estão voltadas para a segunda safra (safrinha), que deve ganhar volume nas próximas semanas.

O retorno das chuvas em importantes regiões produtoras tem favorecido o desenvolvimento das lavouras, reforçando a expectativa de boa oferta. Esse cenário contribui para a postura mais cautelosa dos compradores.

Exportações de milho mostram leve retração em abril

As exportações brasileiras de milho seguem em ritmo moderado no início do mês:

  • Projeção para abril: 191,9 mil toneladas
  • Volume inferior ao registrado em março
  • Desempenho, porém, superior ao mesmo período do ano passado

A combinação de dólar mais fraco e maior oferta global limita o avanço dos embarques.

Mercado físico: comercialização lenta em várias regiões

O mercado físico de milho apresenta baixa liquidez em diferentes estados produtores, com negociações pontuais e ritmo lento.

  • Rio Grande do Sul
    • Preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca
    • Comercialização travada
    • Colheita atinge cerca de 83% da área
    • Produtividade irregular devido à distribuição desigual de chuvas
  • Santa Catarina
    • Mercado paralisado pela diferença entre preços de compra e venda
    • Disparidade pode chegar a R$ 10 por saca
    • Paraná
    • Menor oferta sustenta preços
    • Negócios seguem pontuais, sem ganho de liquidez
  • Mato Grosso do Sul
    • Preços variam entre R$ 49,00 e R$ 58,00 por saca
    • Ajustes após quedas recentes
    • Demanda do setor de bioenergia ajuda a sustentar o mercado
Cenário atual do milho: estabilidade com tendência de pressão no curto prazo

O mercado brasileiro de milho vive um momento de transição, com preços ainda sustentados na casa dos R$ 69 por saca, mas sob pressão de fatores como câmbio, avanço da safra e demanda retraída.

A expectativa para as próximas semanas é de manutenção da volatilidade, com o comportamento da safrinha, o ritmo das exportações e o câmbio sendo determinantes para a direção dos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

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