Milho e Sorgo

Milho em queda: expectativa de safra recorde, avanço da safrinha e oferta global elevada pressionam preços no Brasil

Mercado de milho enfrenta pressão de oferta no Brasil e no exterior; produtores adotam cautela diante do avanço da colheita e da perspectiva de maior disponibilidade do cereal


Publicado em: 15/06/2026 às 11:40hs

Milho em queda: expectativa de safra recorde, avanço da safrinha e oferta global elevada pressionam preços no Brasil

O mercado brasileiro de milho segue enfrentando um cenário de forte pressão baixista, impulsionado pela expectativa de aumento da produção nacional, avanço da colheita da segunda safra e crescimento da oferta global. As perspectivas divulgadas por órgãos como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçaram o sentimento de cautela entre compradores e vendedores, limitando os negócios e mantendo os preços sob pressão.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que, embora a colheita ainda esteja concentrada em algumas regiões produtoras, a expectativa de entrada de grandes volumes nas próximas semanas já influencia diretamente as negociações.

Compradores seguem retraídos, aguardando novas quedas nos preços, enquanto vendedores demonstram maior flexibilidade nas negociações, ajustando valores, prazos de entrega e condições de pagamento para acelerar o escoamento da produção.

Oferta crescente amplia pressão sobre as cotações

A revisão para cima das estimativas de produção brasileira para a temporada 2025/26 contribuiu para reforçar o movimento de baixa. Além da recuperação da safra de verão no Brasil, a expectativa de maior produção em importantes países produtores, como a Índia, também elevou as projeções dos estoques globais.

O cenário internacional permanece favorável à oferta. Nos Estados Unidos, as condições climáticas seguem positivas para o desenvolvimento das lavouras, enquanto a Argentina trabalha com projeções de produção entre 64 e 68 milhões de toneladas, acima das estimativas anteriores.

Essa combinação de fatores amplia a percepção de abundância de milho no mercado mundial, reduzindo o potencial de recuperação dos preços no curto prazo.

Comercialização segue lenta no mercado físico

A comercialização do cereal continua ocorrendo de forma pontual em diversas regiões brasileiras. Segundo analistas do setor, consumidores têm adquirido apenas pequenos volumes para reposição imediata, aguardando a chegada da safra para ampliar as compras.

Do lado dos produtores, observa-se um aumento gradual da oferta. Ainda assim, em algumas praças permanecem divergências significativas entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores ofertados pelos compradores, o que mantém o mercado travado.

Nos portos, as cotações variam entre R$ 63 e R$ 68 por saca tanto em Santos quanto em Paranaguá.

No interior do país, os preços apresentam diferenças regionais:

  • Cascavel (PR): entre R$ 57 e R$ 60 por saca;
  • Mogiana (SP): entre R$ 55 e R$ 60 por saca;
  • Campinas (SP): entre R$ 64 e R$ 65 por saca;
  • Erechim (RS): entre R$ 67 e R$ 69 por saca;
  • Uberlândia (MG): entre R$ 57 e R$ 58 por saca;
  • Rio Verde (GO): entre R$ 55 e R$ 58 por saca;
  • Rondonópolis (MT): entre R$ 47 e R$ 51 por saca.
B3 registra recuperação pontual, mas semana termina negativa

Apesar de uma recuperação técnica observada nos contratos futuros de milho na B3 durante o último pregão, o saldo semanal permaneceu negativo.

O contrato com vencimento em julho encerrou a semana cotado a R$ 64,06 por saca, acumulando perda de 3,16% no período. O vencimento de setembro fechou em R$ 66,83, enquanto novembro terminou negociado a R$ 70,35 por saca.

Além do aumento da oferta brasileira, a valorização da produção argentina e o comportamento do mercado internacional contribuíram para limitar uma reação mais consistente dos preços.

No acumulado semanal, o dólar registrou queda de 1,82%, enquanto o indicador Cepea recuou 0,45%. Em Chicago, as perdas somaram 1,14% na semana.

Chicago recua com petróleo em baixa e clima favorável nos EUA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de milho iniciaram a semana em queda. O vencimento julho de 2026 era negociado próximo de US$ 4,08 por bushel, refletindo a combinação entre clima favorável para as lavouras norte-americanas e a forte desvalorização do petróleo.

A queda da commodity energética ocorreu após avanços nas negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã, movimento que reduziu as preocupações com o abastecimento global de petróleo e impactou negativamente o mercado de biocombustíveis, importante consumidor de milho nos Estados Unidos.

Estratégia exige cautela para produtores e cooperativas

Diante da perspectiva de oferta elevada e fundamentos ainda negativos, analistas recomendam cautela na tomada de decisões comerciais.

Para produtores com milho disponível, a orientação é aproveitar eventuais momentos de recuperação técnica para realizar vendas graduais, evitando concentração de comercialização em um único período.

Na safra futura, especialistas sugerem a utilização de mecanismos de proteção de preços, como operações de hedge e travamentos parciais, sempre que as cotações apresentarem margens positivas em relação aos custos de produção.

Cooperativas e cerealistas também devem manter postura conservadora na formação de estoques, realizando compras escalonadas e evitando exposição excessiva em um mercado que ainda não apresenta sinais claros de reversão da tendência baixista.

Por outro lado, consumidores e indústrias encontram um ambiente mais favorável para ampliar gradualmente suas coberturas, aproveitando os níveis atuais de preços.

Perspectiva permanece baixista

O mercado de milho entra na segunda metade do ano acompanhado por um cenário de ampla oferta global, avanço da safrinha brasileira, produção robusta na Argentina e condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos.

Embora oscilações técnicas possam ocorrer ao longo das próximas semanas, os fundamentos continuam apontando para um ambiente de pressão sobre os preços. Com isso, a palavra de ordem para produtores, cooperativas, cerealistas e indústrias permanece sendo cautela, planejamento e disciplina comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

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