Milho e Sorgo

Mercado global de milho entra em novo ciclo: Brasil lidera produção, mas alta no consumo interno e etanol reequilibram cenário em 2026

Produção recorde em 2025 impulsiona protagonismo do Brasil e da Argentina


Publicado em: 19/01/2026 às 10:40hs

Mercado global de milho entra em novo ciclo: Brasil lidera produção, mas alta no consumo interno e etanol reequilibram cenário em 2026

O ano de 2025 consolidou a América do Sul como protagonista no mercado global de milho. Brasil e Argentina alcançaram safras expressivas, reforçando a competitividade da região e influenciando diretamente os preços internacionais.

Segundo a StoneX, a produção brasileira atingiu 139,4 milhões de toneladas, impulsionada por condições climáticas favoráveis no Centro-Oeste. Já a Argentina, mesmo com leve redução na área plantada devido a preocupações fitossanitárias, manteve bom desempenho produtivo.

Esse cenário de oferta abundante gerou uma pressão baixista sobre os preços globais, refletindo o excesso de milho disponível no mercado internacional.

Expansão do etanol de milho muda a dinâmica da demanda nacional

Enquanto os preços internacionais recuavam, o consumo doméstico de milho no Brasil avançava em ritmo acelerado, puxado pela expansão do setor de etanol de milho.

Em 2025, o país consumiu cerca de 91 milhões de toneladas, um aumento de 6,5 milhões em relação a 2024. O destaque ficou por conta do crescimento da capacidade instalada das usinas, que avançaram para novas regiões como Maranhão, Tocantins, Paraná e Piauí.

O segmento de biocombustíveis também impulsionou a produção de DDG (grão seco de destilaria), coproduto do etanol utilizado na nutrição animal. Com a oferta em alta, o Brasil iniciou tratativas para exportar DDG para a China, embora ainda sem embarques efetivos.

Paralelamente, o sorgo ganhou espaço como alternativa para a segunda safra, beneficiado pela abertura do mercado chinês e pela expansão das usinas de etanol, além de sua resiliência em regiões mais secas.

Exportações recuam diante de consumo interno forte

A expressiva produção brasileira de milho impactou diretamente as exportações. Apesar do aumento em relação a 2024, os embarques ficaram 33% abaixo dos volumes de 2023.

O fortalecimento da demanda interna e a valorização do basis — que reduziu a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional — foram os principais fatores que limitaram as vendas externas.

Nos Estados Unidos, a área plantada de milho atingiu 40 milhões de hectares, com uma safra de 432,3 milhões de toneladas. Mesmo com desafios climáticos e sanitários, o país bateu recorde de exportações, favorecido pela desvalorização do dólar e pela demanda de parceiros como México, Vietnã e Espanha.

Já o setor norte-americano de etanol manteve alta demanda, embora o crescimento tenha sido contido por restrições regulatórias.

Na China, o consumo avançou de forma mais lenta, impulsionado por maior produção doméstica e redução das importações. A União Europeia e a Ucrânia, por sua vez, enfrentaram safras abaixo do esperado, enquanto as tensões geopolíticas no Mar Negro continuam a influenciar o equilíbrio global da oferta.

Projeções para 2026: consumo em alta e produção em leve queda

As estimativas da StoneX indicam que, em 2026, o consumo brasileiro de milho deve atingir 97 milhões de toneladas, impulsionado pelo avanço do etanol de milho.

Em contrapartida, a produção tende a recuar para 134,3 milhões de toneladas, refletindo um ajuste natural na oferta após o recorde histórico de 2025. Esse cenário deve contribuir para equilibrar o mercado interno e reduzir os excedentes exportáveis.

Na Argentina, a expectativa é de recuperação da área plantada e aumento das exportações, apoiada por reduções nas tarifas de exportação.

Já nos Estados Unidos, a leve diminuição da área cultivada deve manter estoques confortáveis, limitando movimentos de alta na Bolsa de Chicago.

Mercado global mais ajustado, mas com riscos geopolíticos

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a relação estoque/uso global do milho deve atingir o menor nível dos últimos anos, sinalizando um mercado mais ajustado.

A queda na produção de grandes exportadores e o crescimento da demanda em países como Brasil, Índia e EUA podem restringir a oferta, embora fatores externos — como a sobreoferta de outros grãos, incertezas macroeconômicas e as tensões entre Rússia e Ucrânia — mantenham o setor em alerta.

Fonte: Portal do Agronegócio

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