Milho e Sorgo

Mercado do milho recua com avanço da colheita da safrinha e maior oferta pressiona preços no Brasil

Colheita da segunda safra ganha ritmo, amplia disponibilidade do cereal e mantém compradores cautelosos, enquanto contratos futuros encerram o dia em queda na B3.


Publicado em: 03/07/2026 às 11:50hs

Mercado do milho recua com avanço da colheita da safrinha e maior oferta pressiona preços no Brasil

O mercado brasileiro de milho segue pressionado pelo avanço da colheita da segunda safra (safrinha), que aumenta a oferta do cereal e limita o potencial de recuperação dos preços. Nesta sexta-feira (3), o ambiente continua marcado por baixa liquidez, compradores abastecidos e negociações pontuais, cenário que também influencia o desempenho dos contratos futuros negociados na B3.

Além do aumento da disponibilidade interna, o mercado acompanha uma oferta internacional confortável, impulsionada pela boa produção da Argentina e pelas expectativas positivas para a safra norte-americana, fatores que reduzem o espaço para movimentos de alta no curto prazo.

Contratos futuros fecham em baixa na B3

Os contratos futuros do milho encerraram a última sessão em queda na Bolsa Brasileira, refletindo a pressão exercida pela entrada da nova safra no mercado.

O vencimento julho de 2026 fechou cotado a R$ 64,82 por saca, com leve recuo de R$ 0,02. O contrato para setembro terminou em R$ 67,99, queda de R$ 0,35, enquanto o vencimento novembro encerrou o dia em R$ 71,10 por saca, recuando R$ 0,21.

Segundo analistas, embora haja suporte vindo da demanda dos setores de proteína animal, etanol de milho e exportações, o avanço da colheita tende a manter os preços sob pressão nas próximas semanas.

Colheita da safrinha acelera no Paraná

No Paraná, um dos principais produtores nacionais, a colheita da segunda safra já alcança 5% da área cultivada, enquanto 79% das lavouras permanecem classificadas em boas condições.

As geadas registradas recentemente provocaram impactos localizados, sem alterar de forma significativa o potencial produtivo estadual. No mercado físico, as referências permanecem próximas de R$ 60,00 por saca, enquanto compradores indicam valores ao redor de R$ 55,00 CIF, refletindo a postura cautelosa diante da expectativa de maior oferta nas próximas semanas.

Mercado físico segue travado no Sul

No Rio Grande do Sul, a comercialização continua lenta, com preços variando entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca e média estadual de R$ 59,08.

A colheita da safra de verão foi concluída, registrando produtividade média estimada em 7.362 quilos por hectare em uma área de 812,5 mil hectares. Apesar disso, produtores demonstram resistência em vender nos níveis atuais de preços, contribuindo para a baixa liquidez.

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante. As negociações permanecem restritas a pequenos volumes, com vendedores pedindo cerca de R$ 65,00 por saca, enquanto consumidores mantêm ofertas próximas de R$ 60,00, apostando na chegada de maiores volumes da segunda safra.

Oferta elevada mantém pressão em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, a intensificação da colheita também amplia a disponibilidade do cereal e mantém as cotações pressionadas.

Os preços variam entre R$ 48,67 e R$ 50,20 por saca, enquanto a demanda continua concentrada em compras imediatas. Apesar do crescimento da indústria de etanol de milho e da demanda do setor de bioenergia, o mercado ainda opera com cautela, aguardando a entrada de novos lotes provenientes da safrinha.

Perspectivas para o mercado do milho

A expectativa para os próximos dias é de continuidade da pressão sobre os preços, principalmente com o avanço da colheita da segunda safra em importantes estados produtores. A elevada disponibilidade interna, somada ao cenário favorável da oferta global, tende a limitar reações mais consistentes nas cotações.

Por outro lado, o mercado seguirá atento ao ritmo das exportações brasileiras, ao comportamento do dólar frente ao real e às condições climáticas nos Estados Unidos, fatores que poderão influenciar a formação dos preços no segundo semestre.

Enquanto isso, a estratégia predominante entre compradores continua sendo adquirir apenas volumes necessários para reposição imediata, aguardando uma oferta ainda maior nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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