Publicado em: 24/04/2026 às 11:10hs
O mercado do milho iniciou o período recente com forte oscilação nos preços, refletindo um cenário de realização de lucros na Bolsa, baixa fluidez nas negociações físicas e cautela dos agentes na formação das cotações, segundo análise da TF Agroeconômica.
Na B3, os contratos futuros encerraram sessões recentes em queda após dois dias de alta, indicando movimento de ajuste por parte dos investidores. O contrato maio/26 fechou a R$ 67,94, julho/26 a R$ 69,09 e setembro/26 a R$ 71,06, todos com recuos diários, embora ainda acumulem valorização na semana.
No mercado interno, a dinâmica continua lenta em diversas praças do país. No Rio Grande do Sul, a liquidez é considerada baixa, com negócios pontuais e preços variando entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca. A colheita já avança para cerca de 90% da área, mas ainda enfrenta impacto de chuvas e produtividade média estimada em 7.424 kg por hectare, com forte heterogeneidade regional.
Em Santa Catarina, o mercado segue praticamente paralisado devido ao descompasso entre ofertas e demandas. Compradores trabalham próximos de R$ 65,00 por saca, enquanto vendedores pedem cerca de R$ 75,00.
No Paraná, os preços seguem pressionados com negociações lentas. Já em Mato Grosso do Sul, houve leve reação nas cotações, entre R$ 57,00 e R$ 59,00 por saca, com a demanda do setor de bioenergia contribuindo para sustentação parcial dos valores.
O dólar abaixo de R$ 5,00 também influencia o cenário, reduzindo a competitividade das exportações e reforçando a postura conservadora dos compradores no mercado doméstico.
No cenário internacional, a Bolsa de Chicago (CBOT) iniciou o pregão da sexta-feira (24) com os preços do milho em alta. Por volta das 09h44 (horário de Brasília), os contratos apresentavam valorização entre 1 e 2 pontos.
O contrato maio/26 era negociado a US$ 4,56 por bushel, julho/26 a US$ 4,65, setembro/26 a US$ 4,70 e dezembro/26 a US$ 4,85.
Segundo analistas internacionais, o mercado encontrou suporte na alta do trigo e nas preocupações climáticas com seca nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, incluindo regiões produtoras importantes como Nebraska.
De acordo com o analista Bruce Blythe, do Farm Futures, os contratos futuros de milho vêm mantendo tendência de alta consistente, com destaque para julho, que registra fechamentos acima das médias móveis de 20 e 50 dias.
A faixa de US$ 4,66 tem atuado como resistência técnica, e um rompimento consistente acima desse nível pode abrir espaço para testes da máxima de abril, em US$ 4,71.
No mercado interno brasileiro, os preços seguem relativamente estáveis, com o milho negociado próximo de R$ 57,00 por saca no Rio Grande do Sul, variando entre R$ 48,00 e R$ 63,00 em outras regiões, segundo dados do CEEMA.
Apesar da estabilidade nos preços domésticos, o país registra forte avanço nas exportações. Nos primeiros sete dias úteis de abril de 2026, o Brasil embarcou 297.828 toneladas de milho, alta de 377,1% na média diária em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados da Secex.
O volume acumulado do cereal exportado segue em crescimento, reforçando a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.
Mesmo com o bom desempenho nas exportações, o setor produtivo acompanha com atenção as condições climáticas. A previsão de tempo quente e seco na região Central do país pode impactar o desenvolvimento da safrinha, especialmente em áreas mais sensíveis ao estresse hídrico.
O cenário climático, somado à volatilidade externa e à baixa liquidez interna, mantém o mercado do milho em ambiente de cautela, com agentes atentos aos próximos movimentos de demanda e oferta ao longo do segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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