Publicado em: 09/02/2026 às 11:50hs
Após um janeiro marcado por quedas generalizadas, o mercado do milho começa fevereiro dando sinais de estabilidade em algumas praças. De acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Esalq-USP), a desvalorização do cereal foi interrompida em regiões onde produtores resistem a negociar por valores menores, aguardando uma melhora nas cotações.
A redução dos fretes — resultado do início da colheita da soja — também tem contribuído para limitar novas quedas nos preços. Já do lado da demanda, a maior parte dos compradores ainda adota uma postura cautelosa, esperando um aumento da oferta nas próximas semanas para garantir aquisições a preços mais baixos.
Mesmo com o cenário doméstico de lentidão nas negociações, o desempenho do milho no mercado externo segue positivo. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 4,24 milhões de toneladas do grão em janeiro, alta de 18% em relação ao mesmo período de 2025.
No acumulado da temporada 2024/25 (de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026), os embarques totalizam 41,62 milhões de toneladas, um avanço de 8% frente à safra anterior (2023/24). Esses números reforçam a força do milho brasileiro no comércio internacional, mesmo em um contexto de preços internos pressionados.
Enquanto parte do país observa reação nos preços, o Sul do Brasil segue em um ambiente de mercado defensivo, com baixa fluidez nas negociações e pressão da oferta. De acordo com a TF Agroeconômica, produtores e compradores mantêm cautela, diante do avanço da colheita e da demanda ainda moderada.
No Rio Grande do Sul, as negociações seguem restritas a cooperativas e pequenas indústrias. O preço médio estadual, apurado pela Emater, registrou uma leve alta semanal — considerada pontual e insuficiente para reverter a tendência de estabilidade.
A demanda interna permanece seletiva, com exportações lentas e compradores priorizando estoques próprios e contratos de curto prazo. Já os produtores concentram esforços na colheita e liberação das áreas para a próxima safra.
A safra 2025/26 está praticamente concluída no plantio, mas a colheita avança em ritmo mais lento que o observado no ano anterior, com produtividade irregular devido à instabilidade climática e à irregularidade das chuvas.
Em Santa Catarina, o cenário é de baixa liquidez. O desalinhamento entre as pedidas de venda e as ofertas das indústrias impede a fluidez do mercado, mantendo as negociações pontuais.
Produtores continuam retendo estoques, enquanto a demanda se concentra em operações de curtíssimo prazo.
O monitoramento da Epagri aponta redução na média populacional da cigarrinha-do-milho, embora o alerta fitossanitário permaneça devido à alta infectividade dos insetos detectada nas lavouras — fator que ainda preocupa a cadeia produtiva.
No Paraná, o mercado opera de forma travada, com impasse prolongado entre vendedores e compradores. As cotações variam conforme a região, apresentando maior pressão nas áreas produtoras e reações pontuais nos polos consumidores. Apesar de alguns ajustes, ainda não há sinais de melhora consistente na liquidez dos negócios.
Já em Mato Grosso do Sul, o elevado volume de milho disponível mantém os preços pressionados. O segmento de bioenergia atua de forma relevante, mas ainda insuficiente para sustentar uma recuperação firme. A oferta crescente e a postura cautelosa dos compradores continuam limitando o avanço das cotações.
Com a colheita de soja ganhando ritmo e o mercado externo aquecido, o milho brasileiro vive um momento de transição. Produtores resistem em vender a preços baixos, enquanto compradores aguardam melhores oportunidades diante do aumento esperado de oferta.
O cenário, portanto, é de ajuste gradual, com recuperações pontuais nos preços e mercado interno ainda seletivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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