Milho e Sorgo

Mercado do milho inicia 2026 com pouca fluidez e cotações pressionadas no Brasil e no exterior

Safra abundante, demanda retraída e queda na produção de etanol nos EUA influenciam preços do milho; B3 tenta reação tímida enquanto mercado interno segue sem ritmo


Publicado em: 05/02/2026 às 11:20hs

Mercado do milho inicia 2026 com pouca fluidez e cotações pressionadas no Brasil e no exterior
Mercado interno de milho segue lento no início de 2026

O mercado brasileiro de milho mantém ritmo travado neste começo de fevereiro de 2026, refletindo o avanço da colheita e a baixa demanda, conforme dados da TF Agroeconômica. Nos principais estados produtores, os preços permanecem pressionados e com pouca liquidez, evidenciando o desalinhamento entre as ofertas dos produtores e os níveis de compra das indústrias.

No Rio Grande do Sul, as negociações seguem lentas, com o preço médio estadual recuando 2,28% na semana, passando de R$ 61,40 para R$ 60,00/saca, segundo levantamento da Emater. O intervalo de valores no mercado spot varia entre R$ 58,00 e R$ 75,00/saca, em meio à maior disponibilidade do cereal e à ausência de uma demanda mais firme.

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante. As ofertas de venda continuam próximas de R$ 75,00/saca, enquanto os compradores limitam suas propostas a cerca de R$ 65,00/saca, o que mantém o impasse e reduz o volume de negócios.

No Paraná, as pedidas dos produtores giram em torno de R$ 70,00/saca, contra ofertas industriais próximas de R$ 65,00/saca CIF, prolongando a lentidão nas negociações.

Já no Mato Grosso do Sul, a oferta elevada continua pressionando os preços, que agora variam entre R$ 53,00 e R$ 54,00/saca, com destaque para Dourados, que registra a maior desvalorização regional.

B3 tenta manter leve alta enquanto Chicago registra recuo

A quinta-feira (5) começou com movimentos distintos entre o mercado interno e o externo. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços futuros do milho operaram em leve queda, refletindo dados negativos sobre a produção de etanol nos Estados Unidos, que caiu para o nível mais baixo em quase dois anos, segundo informações da Administração de Informação de Energia (EIA) e do portal Successful Farming.

Às 10h20 (horário de Brasília), os principais contratos recuavam:

  • Março/26: US$ 4,29/bushel (-0,25 ponto)
  • Maio/26: US$ 4,36/bushel (-0,50 ponto)
  • Julho/26: US$ 4,43/bushel (-0,25 ponto)
  • Setembro/26: US$ 4,41/bushel (-0,75 ponto)

No Brasil, a Bolsa de Mercadorias e Futuros (B3) iniciou o dia com leve valorização. Por volta das 10h35, as cotações flutuavam entre R$ 68,05 e R$ 69,97/saca.

  • Março/26: R$ 69,97 (+0,26%)
  • Maio/26: R$ 69,87 (+0,37%)
  • Julho/26: R$ 68,43 (+0,34%)
  • Setembro/26: R$ 68,05 (+0,29%)
Correções técnicas e impasse nos preços limitam avanços

De acordo com a TF Agroeconômica, o mercado futuro do milho apresentou comportamento misto na quarta-feira (4), refletindo ajustes técnicos e realização de lucros. Apesar do dólar e das cotações internacionais estáveis, os contratos mais curtos enfrentaram dificuldade para se manter acima de R$ 70,00/saca.

Na B3, os resultados mostraram variação moderada:

  • Março/26: R$ 69,79 (-R$ 0,41 no dia; +R$ 1,83 na semana)
  • Maio/26: R$ 69,61 (-R$ 0,34 no dia; +R$ 1,98 na semana)
  • Julho/26: R$ 68,20 (+R$ 0,30 no dia; +R$ 0,95 na semana)

No mercado internacional, as cotações de Chicago encerraram em alta moderada, sustentadas pelas vendas externas — com destaque para 130 mil toneladas exportadas para destino não divulgado — e pelos ganhos da soja. Ainda assim, a queda na produção de etanol nos EUA e o bom ritmo de plantio da safrinha brasileira limitaram maiores avanços de preço.

Perspectivas: alta oferta deve manter milho sob pressão

Com a safra avançando e as condições climáticas favoráveis no Brasil, o mercado de milho deve continuar sob pressão de oferta nas próximas semanas. Enquanto isso, os fatores externos, como a demanda por etanol nos EUA e as exportações americanas, devem seguir influenciando o comportamento das cotações em Chicago.

O cenário, portanto, indica um mercado cauteloso e com baixa liquidez, tanto no curto prazo quanto nas projeções para o primeiro trimestre de 2026, com os produtores atentos à evolução da colheita e às movimentações cambiais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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