Milho e Sorgo

Mercado do Milho Enfrenta Quedas no Brasil e Exterior com Maior Oferta e Movimento Especulativo

Pressão da safra, baixa demanda e especulação em Chicago derrubam preços do milho; produtores buscam liquidez e B3 fecha semana em queda


Publicado em: 26/01/2026 às 11:33hs

Mercado do Milho Enfrenta Quedas no Brasil e Exterior com Maior Oferta e Movimento Especulativo
Foto: CNA
Oferta elevada e demanda enfraquecida derrubam preços no mercado interno

Os preços do milho seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O cenário é influenciado pela combinação de alta oferta e menor demanda neste início de ano.

De acordo com pesquisadores, o clima favorável à cultura e o avanço da colheita da safra de verão reforçam o aumento da disponibilidade do cereal. Ao mesmo tempo, compradores continuam priorizando estoques adquiridos anteriormente, reduzindo o ritmo de novas negociações.

Muitos agentes acreditam que, com o avanço da colheita da soja, produtores precisarão liberar espaço nos armazéns e fazer caixa, o que pode aumentar a pressão sobre os preços. Enquanto isso, no campo, o plantio da segunda safra já começou em regiões do Sul e Centro-Oeste, ampliando ainda mais as expectativas de oferta para os próximos meses.

Mercado futuro na B3 abre misto, mas acumula quedas semanais

Na Bolsa Brasileira de Mercadorias (B3), o pregão desta segunda-feira (26) começou com movimentações mistas. Por volta das 9h42 (horário de Brasília), as cotações variavam entre R$ 67,77 e R$ 69,21.

  • Março/26: R$ 69,21 (+0,54%)
  • Maio/26: R$ 68,65 (+0,34%)
  • Julho/26: R$ 67,86 (+0,50%)
  • Setembro/26: R$ 67,77 (-0,07%)

Apesar das leves altas pontuais, o mercado futuro fechou a semana anterior em queda, refletindo o aumento da oferta interna e a necessidade de liquidez por parte dos produtores. Segundo a TF Agroeconômica, a pressão veio tanto do mercado físico quanto de ajustes financeiros.

A Média Cepea apontou recuo de 2,60% nos preços ao longo da semana, enquanto o dólar caiu 1,60%, reduzindo a competitividade das exportações e limitando o suporte às cotações internas.

Especulação pressiona milho em Chicago e reflete nos preços globais

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho começaram a semana em baixa, pressionados por movimentos especulativos. Às 9h36 (horário de Brasília), o contrato março/26 era negociado a US$ 4,28 por bushel (-2 pontos), e o maio/26 a US$ 4,36 (-1,50 ponto).

De acordo com o portal Successful Farming, investidores ampliaram as posições vendidas, apostando na queda do cereal, conforme dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). Ao mesmo tempo, houve redução nas apostas de alta da soja, o que reforçou o movimento de baixa para o milho.

Na sexta-feira anterior, entretanto, o mercado externo chegou a registrar leve recuperação, sustentado por dados positivos de exportação. As vendas semanais somaram 4,01 milhões de toneladas, o maior volume do ciclo atual e 33,68% acima do mesmo período do ano passado.

A piora nas condições das lavouras argentinas também ajudou a conter maiores quedas, resultando em valorização acumulada de 1,35% na semana.

Perspectivas: safra recorde deve manter pressão sobre preços

Com a colheita de verão em ritmo acelerado e a safrinha em andamento, o mercado de milho deve permanecer pressionado nas próximas semanas. A combinação de estoques elevados, demanda interna retraída e câmbio desfavorável tende a limitar o espaço para recuperação dos preços no curto prazo.

Analistas destacam que apenas uma mudança no cenário internacional, como problemas climáticos severos na América do Sul ou aumento das exportações norte-americanas, poderia trazer sustentação às cotações.

Fonte: Portal do Agronegócio

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