Publicado em: 30/01/2026 às 11:40hs
O mercado de milho no Sul do Brasil e em Mato Grosso do Sul inicia 2026 com pouca fluidez e negociações pontuais, refletindo o avanço da colheita, o aumento da oferta e o comportamento seletivo da demanda. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, a formação de preços segue limitada pelo desalinhamento entre vendedores e compradores.
Rio Grande do Sul: O avanço da colheita amplia a oferta e pressiona as cotações. As negociações permanecem concentradas entre cooperativas e pequenas indústrias, enquanto o preço médio estadual, segundo a Emater, apresentou nova queda. A colheita já alcança cerca de 28% da área total, e as condições das lavouras variam conforme a regularidade das chuvas.
Santa Catarina: O mercado segue travado pelo impasse entre pedidas dos produtores e ofertas das indústrias. A liquidez é baixa e os custos logísticos continuam pesando sobre a operação, o que reduz o interesse nas negociações.
Paraná: As transações seguem restritas, mesmo com o avanço da colheita da primeira safra e o início do plantio da segunda. Os preços variam entre as regiões, com leve pressão nas áreas produtoras e pequenas reações nos polos consumidores.
Mato Grosso do Sul: A grande disponibilidade de milho mantém as cotações pressionadas, embora o setor de bioenergia ofereça algum suporte à demanda. A oferta abundante e o comportamento cauteloso dos compradores limitam reações de alta mais consistentes.
Esse cenário ocorre em meio a um contexto macroeconômico de juros elevados e inflação sob controle, fatores diretamente influenciados pela política monetária do Banco Central do Brasil (BCB). Em janeiro de 2026, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, mas sinalizou que pode iniciar cortes em março, diante da redução das pressões inflacionárias e da melhora das expectativas do mercado.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho registraram quedas nos principais vencimentos. O contrato para março/26 foi cotado a US$ 4,28 por bushel, com perda de 2 pontos, enquanto maio/26 fechou a US$ 4,37, também em baixa.
De acordo com análise publicada pelo site internacional Successful Farming, as vendas externas de milho dos Estados Unidos caíram 59% na semana encerrada em 22 de janeiro, somando 1,65 milhão de toneladas. A retração nas exportações contribuiu para a desvalorização dos contratos futuros e reforçou o sentimento de cautela no mercado global.
No mercado doméstico, os preços futuros do milho negociados na B3 apresentaram alta moderada, impulsionada por ajustes técnicos e compras de oportunidade.
O contrato com vencimento em março de 2026 fechou cotado a R$ 68,49, com valorização diária de R$ 0,53, embora ainda acumule queda de R$ 1,26 na semana. O contrato de maio/26 terminou o pregão em R$ 68,13, alta de R$ 0,50 no dia, e julho/26 encerrou em R$ 67,26, com leve avanço de R$ 0,01.
Mesmo com essa reação pontual, o desempenho semanal segue negativo, refletindo a maior oferta doméstica e a menor competitividade nas exportações. Parte do milho brasileiro tem sido direcionada ao consumo interno, o que ajuda a conter quedas mais acentuadas nas cotações.
O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 15% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O comunicado da autoridade monetária indica que os cortes de juros podem começar em março, caso o cenário de desaceleração inflacionária se confirme.
A meta de inflação para 2026 é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual. De acordo com o Boletim Focus, as projeções mais recentes apontam redução da expectativa de inflação para 4,02%, reforçando o cenário de estabilidade.
A política monetária tem impacto direto no agronegócio, pois influencia o custo do crédito rural, as taxas de financiamento e as decisões de investimento no campo. Apesar dos juros ainda elevados, o crescimento de 10,2% no volume de crédito bancário em 2025 indica que o setor financeiro segue ativo, com destaque para linhas voltadas à produção agrícola e à bioenergia.
O mercado de milho inicia o ano sob o efeito da sazonalidade da colheita e da oferta abundante, o que mantém os preços pressionados. Entretanto, a demanda interna consistente, aliada à melhora das condições climáticas e ao possível alívio na política monetária, pode abrir espaço para uma recuperação gradual nas cotações ao longo do primeiro semestre.
A expectativa do setor é que, com custos de crédito menores e estabilidade econômica, os investimentos na cadeia do milho ganhem ritmo, beneficiando produtores, cooperativas e indústrias de processamento.
Fonte: Portal do Agronegócio
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