Milho e Sorgo

Mercado de milho segue travado no Brasil, com preços em queda e pouca liquidez; Chicago tem leve alta nos futuros

Falta de consenso entre produtores e indústrias mantém negociações paradas no mercado interno, enquanto cotações internacionais reagem a compras externas e expectativas de oferta


Publicado em: 11/12/2025 às 11:40hs

Mercado de milho segue travado no Brasil, com preços em queda e pouca liquidez; Chicago tem leve alta nos futuros
Mercado interno de milho segue parado em várias regiões do país

O mercado brasileiro de milho permanece com baixa movimentação e poucas negociações, segundo informações da TF Agroeconômica. A consultoria aponta que o cenário é de impasse entre produtores e compradores, com forte distância entre pedidas e ofertas, o que tem travado a liquidez.

No Rio Grande do Sul, as referências seguem entre R$ 58,00 e R$ 72,00 por saca, com média estadual em R$ 62,68 (+0,80%), mas sem estímulos para reação mais firme no mercado spot. Em Santa Catarina, as pedidas giram em torno de R$ 80,00/saca, enquanto as ofertas ficam próximas de R$ 70,00/saca, impedindo avanços nas negociações. No Planalto Norte, poucos negócios ocorrem entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, e a falta de consenso continua limitando a liquidez.

No Paraná, o quadro é semelhante. Os produtores buscam R$ 75,00/saca, enquanto as indústrias mantêm interesse próximo a R$ 70,00/saca (CIF), o que mantém o mercado travado. Já no Mato Grosso do Sul, a movimentação também é limitada, influenciada pela ampla oferta e pela postura cautelosa dos agentes. As cotações variam entre R$ 52,00 e R$ 56,00/saca, com destaque para Maracaju, onde os preços seguem mais altos.

Baixa liquidez e ajuste de preços marcam a semana

Ao longo da semana, o mercado de milho perdeu força, refletindo a realização de lucros e a menor intensidade nas negociações. As indústrias compram apenas o necessário para garantir estoques de passagem antes das férias coletivas, enquanto produtores ofertam o grão somente quando há necessidade, reduzindo a formação de preços.

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros encerraram em baixa. O janeiro/2026 fechou a R$ 73,03, queda de R$ 1,44 no dia e de R$ 1,97 na semana. O março/2026 terminou a R$ 75,77, com recuo de R$ 0,95 na sessão e R$ 0,71 no acumulado semanal, enquanto o maio/2026 foi negociado a R$ 75,10, retração de R$ 0,73 no dia e R$ 0,76 na semana.

Cotações internacionais do milho avançam em Chicago

No mercado externo, o milho apresentou alta nos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira (11), após um início de semana de ajustes. Às 11h02 (horário de Brasília), o dezembro/2025 era cotado a US$ 4,36 por bushel, alta de 1,25 ponto, enquanto o março/2026 subia 2,50 pontos, para US$ 4,46. Os contratos de maio/2026 e julho/2026 registravam avanços de 2,50 e 2,00 pontos, cotados a US$ 4,54 e US$ 4,59, respectivamente.

Segundo o portal Farm Futures, o movimento reflete compras corretivas após uma oscilação lateral nas últimas sessões. O analista Bruce Blythe explica que o mercado está em um “impasse entre forças otimistas e pessimistas” — de um lado, a firmeza nos preços à vista e a forte demanda de exportação; de outro, a expectativa de oferta elevada após a colheita nos Estados Unidos e a fraqueza residual da soja, que limita o potencial de alta.

Exportações externas e produção de etanol influenciam o cenário global

Mesmo com leve recuperação nesta quinta-feira, o mercado internacional de milho ainda sente o impacto das realizações de lucro observadas no meio da semana. Em Chicago, o contrato de dezembro chegou a recuar 1,36%, fechando a US$ 4,34 por bushel, enquanto o de março caiu 0,84%, encerrando a US$ 4,44.

A TF Agroeconômica destaca que o ajuste ocorreu mesmo com dados positivos da produção de etanol, que subiu 1,87% na média diária, e estoques praticamente estáveis. Também contribuíram para equilibrar o mercado as novas compras internacionais, como a aquisição de 132 mil toneladas pela Coreia do Sul e o lançamento de um leilão em Taiwan para 66 mil toneladas.

Perspectivas para o mercado do milho

A combinação de baixo volume de negócios no mercado interno, alta volatilidade nas bolsas e ajustes após ganhos recentes mostra que o milho segue em um período de transição. A falta de consenso entre produtores e compradores deve continuar limitando o ritmo das negociações no curto prazo.

Enquanto isso, o mercado internacional deve permanecer atento à demanda de exportação, à produção de etanol nos EUA e às condições climáticas das principais regiões produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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