Milho e Sorgo

Mercado de milho oscila no Brasil: preços caem no físico, sobem na B3 e Chicago aguarda dados do USDA

Cotações do milho hoje mostram divergência entre mercado interno e externo, com pressão da safra, alta na B3 e expectativa por relatórios do USDA


Publicado em: 30/03/2026 às 11:40hs

Mercado de milho oscila no Brasil: preços caem no físico, sobem na B3 e Chicago aguarda dados do USDA
Preços do milho recuam em Campinas, mas sobem em outras regiões

Os preços do milho apresentaram queda em Campinas (SP), referência para o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, ao longo da última semana. De acordo com pesquisadores do Cepea, o avanço da colheita da safra de verão elevou a oferta no mercado spot, levando compradores a reduzirem suas ofertas ou se afastarem das negociações.

Apesar disso, em outras regiões do país os preços seguiram firmes. A sustentação vem da postura mais cautelosa dos produtores, que mantêm os valores diante das incertezas relacionadas aos custos de frete.

Exportações de milho avançam em março

No cenário externo, os embarques brasileiros seguem em ritmo acelerado. Dados da Secex indicam que, nos primeiros 15 dias úteis de março, foram exportadas 784,2 mil toneladas de milho.

O volume representa cerca de 90% de tudo o que foi embarcado em março do ano passado, com um ritmo diário aproximadamente 14% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Chicago opera estável com mercado à espera do USDA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de milho iniciaram a semana próximos da estabilidade, com leves quedas. O mercado internacional segue cauteloso à espera dos relatórios de plantio prospectivo e estoques trimestrais de grãos, que serão divulgados pelo USDA.

Por volta da manhã desta segunda-feira (30), os principais vencimentos apresentavam pequenas desvalorizações:

  • Maio/26: US$ 4,61
  • Julho/26: US$ 4,72
  • Setembro/26: US$ 4,75
  • Dezembro/26: US$ 4,88

Analistas destacam que o mercado pode enfrentar maior volatilidade no curto prazo. Segundo avaliação da Farm Futures, fundos de investimento ampliaram significativamente suas posições compradas em milho, o que aumenta o risco de liquidações e quedas mais intensas, dependendo dos dados a serem divulgados.

Milho sobe na B3 e ignora pressão externa

Na contramão do mercado internacional, os contratos futuros do milho negociados na B3 iniciaram a semana em alta. As cotações registraram valorização, com os principais vencimentos operando entre R$ 72,10 e R$ 76,20.

Entre os destaques:

  • Maio/26: R$ 73,27 (+1,52%)
  • Julho/26: R$ 72,10 (+1,09%)
  • Setembro/26: R$ 72,71 (+1,18%)
  • Janeiro/27: R$ 76,20 (+0,79%)

Na semana anterior, o contrato de maio/26 já havia encerrado a R$ 72,17, consolidando uma tendência de alta mesmo diante da pressão externa e da queda do dólar e dos indicadores domésticos.

Incertezas com a safrinha sustentam preços

Segundo análise da TF Agroeconômica, o desempenho positivo da B3 está diretamente ligado às incertezas envolvendo a segunda safra (safrinha). Atrasos no plantio e dúvidas quanto ao potencial produtivo mantêm o mercado em alerta, dando suporte às cotações.

Esse cenário reforça a divergência entre o mercado físico, pressionado pela oferta imediata, e o mercado futuro, que precifica riscos climáticos e produtivos.

Mercado interno segue travado em importantes estados

O comportamento do mercado físico varia entre os estados produtores, mas em geral segue com baixa liquidez e negociações pontuais:

  • Rio Grande do Sul: a colheita atinge cerca de 73% da área, com produtividade irregular. Áreas irrigadas apresentam melhor desempenho, enquanto regiões com menor disponibilidade hídrica registram perdas.
  • Santa Catarina: há forte desalinhamento entre preços, com vendedores pedindo cerca de R$ 75,00 por saca e compradores ofertando próximos de R$ 65,00.
  • Paraná: o mercado segue travado, com a colheita da primeira safra praticamente concluída e o plantio da safrinha ocorrendo fora da janela ideal em parte das áreas.
  • Mato Grosso do Sul: apesar de leve recuperação nos preços, as negociações permanecem limitadas. A demanda do setor de bioenergia ajuda a sustentar as cotações, mas a oferta elevada impede avanços mais expressivos.
Tendência do mercado: volatilidade no curto prazo

O mercado de milho inicia a semana com sinais mistos, refletindo fatores distintos entre oferta, demanda e cenário climático. Enquanto o físico sente o impacto da colheita, o mercado futuro reage às incertezas da safrinha.

No cenário internacional, as atenções seguem voltadas para os dados do USDA, que devem definir o rumo dos preços no curto prazo e podem ampliar a volatilidade global da commodity.

Fonte: Portal do Agronegócio

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