Milho e Sorgo

Mercado de milho no Brasil encerra semana travado, com baixa liquidez e preços sem direção definida

Incertezas internas e externas, avanço da colheita e volatilidade global limitam negociações e pressionam cotações do milho no país


Publicado em: 27/03/2026 às 11:05hs

Mercado de milho no Brasil encerra semana travado, com baixa liquidez e preços sem direção definida

O mercado brasileiro de milho deve encerrar a semana com ritmo lento de negociações e baixa liquidez, refletindo um cenário de incertezas tanto no ambiente doméstico quanto no exterior. O avanço da colheita pressiona os preços, enquanto fatores como logística, clima e volatilidade global mantêm produtores e compradores cautelosos.

Comercialização de milho segue lenta e com poucos negócios

Ao longo da semana, o mercado operou com poucas negociações efetivamente concluídas. A combinação entre oferta crescente — com o avanço da colheita — e incertezas econômicas reduziu o apetite por novos negócios.

Produtores e consumidores adotaram postura mais cautelosa, aguardando maior clareza sobre o cenário antes de avançar nas negociações. A volatilidade internacional, somada ao comportamento do dólar, também contribuiu para travar o mercado.

Fatores internos: clima, logística e fretes no radar

No cenário doméstico, os agentes seguem atentos a variáveis importantes como o clima, o andamento dos trabalhos no campo e os desafios logísticos.

Os custos com frete continuam elevados em diversas regiões do país, o que impacta diretamente a formação de preços e dificulta o fechamento de negócios. Além disso, atrasos e irregularidades no plantio e na colheita aumentam as incertezas sobre a produção final.

Cenário externo: guerra e volatilidade impactam mercado

No ambiente internacional, o mercado segue influenciado pelas tensões no Oriente Médio, que elevam a volatilidade de ativos como o petróleo e o dólar.

Esse cenário aumenta o risco inflacionário global e reforça a cautela dos investidores. Apesar disso, os contratos futuros de milho na Chicago Board of Trade (CBOT) registram leve alta, sustentados pela boa demanda nos Estados Unidos e pelo suporte dos preços do petróleo.

Os contratos com entrega em maio de 2026 são cotados a US$ 4,69 1/2 por bushel, com valorização de 0,53% no dia.

Preços do milho no Brasil: veja as cotações por região

Os preços do milho apresentaram variações regionais, refletindo as condições locais de oferta e demanda:

  • Porto de Santos: entre R$ 69,00 e R$ 73,00 por saca (CIF)
  • Porto de Paranaguá: entre R$ 68,50 e R$ 73,00 por saca

Mercado interno:

  • Paraná (Cascavel): R$ 64,00 a R$ 66,00
  • São Paulo (Mogiana): R$ 68,50 a R$ 73,00
  • Campinas (CIF): R$ 74,00 a R$ 75,00
  • Rio Grande do Sul (Erechim): R$ 65,00 a R$ 66,00
  • Minas Gerais (Uberlândia): R$ 65,00 a R$ 67,00
  • Goiás (Rio Verde): R$ 60,00 a R$ 64,00 (CIF)
  • Mato Grosso (Rondonópolis): R$ 54,00 a R$ 57,00
Mercado futuro e câmbio dão suporte limitado

Na B3, os contratos futuros de milho oscilaram levemente, refletindo a falta de direção clara no mercado.

  • Maio/2026: R$ 72,05
  • Julho/2026: R$ 71,05
  • Setembro/2026: R$ 71,50

O câmbio também influencia o setor. O dólar comercial registra alta de 0,28%, cotado a R$ 5,2709, enquanto o Dollar Index avança 0,22%, aos 100,12 pontos.

Situação nos estados: colheita irregular e mercado travado

O comportamento do mercado varia entre os estados, mas o padrão geral é de baixa liquidez:

  • Rio Grande do Sul: colheita atinge cerca de 73% da área, com irregularidades e perdas pontuais. Preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca.
  • Santa Catarina: impasse entre vendedores (R$ 75,00) e compradores (R$ 65,00) trava negociações.
  • Paraná: indicações próximas de R$ 70,00, com demanda ao redor de R$ 60,00. Plantio da segunda safra chega a 90%, muitas áreas fora da janela ideal.
  • Mato Grosso do Sul: preços entre R$ 55,00 e R$ 57,00, com leve recuperação após quedas recentes e apoio do setor de bioenergia.
Mercado internacional e financeiro

O ambiente global segue influenciando o comportamento das commodities:

Bolsas europeias operam em queda: Paris (-0,90%), Frankfurt (-1,40%) e Londres (-0,50%)

  • Ásia fechou mista: Xangai (+0,63%) e Japão (-0,43%)
  • Petróleo em alta: WTI cotado a US$ 97,22 o barril (+2,90%)
Perspectivas: mercado deve seguir cauteloso no curto prazo

A tendência para o mercado de milho no Brasil é de continuidade da baixa liquidez no curto prazo, com negociações pontuais e preços sem direção definida.

O avanço da colheita, aliado às incertezas climáticas, logísticas e ao cenário internacional volátil, deve manter produtores e compradores em posição defensiva, aguardando melhores condições para negociação.

Fonte: Portal do Agronegócio

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