Publicado em: 11/03/2026 às 19:00hs
O mercado internacional do milho acompanha com atenção a divulgação do relatório de Oferta e Demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para esta terça-feira (10). A atualização dos dados é considerada um dos principais fatores capazes de influenciar o comportamento das cotações do cereal no curto prazo.
Segundo análise divulgada na segunda-feira (9) por especialista da Grão Direto, o documento pode trazer mudanças nas estimativas de estoques e produção, com reflexos diretos no equilíbrio global de oferta e demanda.
A expectativa predominante entre analistas é de que o relatório apresente aumento na estimativa dos estoques finais domésticos de milho nos Estados Unidos. Além disso, o mercado também aguarda um leve ajuste positivo na projeção da safra brasileira.
De acordo com o especialista da Grão Direto, essas possíveis alterações podem provocar mudanças nas projeções de disponibilidade global do cereal.
“Consequentemente, isso deve impactar as reservas globais do milho”, avalia.
No cenário interno, o principal ponto de atenção do mercado está na implantação da segunda safra de milho, conhecida como safrinha. O plantio da safra 2026 apresenta atraso em relação ao ritmo observado em anos anteriores.
Segundo a análise da Grão Direto, a lentidão no avanço das lavouras é consequência direta do atraso na colheita da soja, provocado pelo excesso de chuvas em importantes regiões produtoras, como o estado de Mato Grosso.
Esse atraso pode trazer implicações para o desenvolvimento da cultura ao longo do ciclo produtivo.
Com parte das áreas sendo semeadas fora da janela agronômica considerada ideal, cresce a exposição das lavouras a riscos climáticos e fitossanitários.
Entre as principais preocupações apontadas na análise estão:
Mesmo diante desses fatores de risco, as projeções do mercado ainda indicam a possibilidade de uma safra expressiva de milho no Brasil.
O relatório também chama atenção para possíveis impactos geopolíticos sobre o setor agrícola. De acordo com o especialista da Grão Direto, a situação no Oriente Médio pode influenciar tanto o comércio internacional quanto os custos de produção no Brasil.
O Irã, por exemplo, é considerado um importante importador do milho brasileiro. Além disso, o país também se destaca como um dos fornecedores globais de ureia, fertilizante amplamente utilizado na agricultura.
Caso o conflito na região se intensifique, podem surgir dificuldades logísticas nas exportações e pressões adicionais sobre os preços dos fertilizantes.
No ambiente macroeconômico, a análise aponta aumento da volatilidade nos mercados globais. As tensões no Oriente Médio contribuíram para a elevação dos preços do petróleo e para a valorização do dólar, fatores que afetam diretamente a formação de preços no Brasil.
Esse cenário altera a paridade de exportação do milho e também eleva os custos de insumos importados utilizados na produção agrícola.
Diante desse cenário de incertezas, a recomendação é que produtores acompanhem atentamente os movimentos do mercado e mantenham foco na gestão de custos.
Segundo o especialista da Grão Direto, é fundamental que o produtor monitore as cotações e aproveite oportunidades de comercialização quando os preços estiverem alinhados com a margem de produção.
A estratégia, segundo ele, pode ajudar a reduzir riscos em um ambiente marcado por oscilações no mercado internacional e por incertezas no cenário geopolítico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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