Milho e Sorgo

Mercado de milho mantém ritmo lento no Sul, mas reage com alta na B3 após revisão nas exportações

Liquidez segue baixa nos estados do Sul e em Mato Grosso do Sul, enquanto contratos futuros na B3 registram ganhos impulsionados por ajustes nas projeções de exportação


Publicado em: 12/02/2026 às 11:30hs

Mercado de milho mantém ritmo lento no Sul, mas reage com alta na B3 após revisão nas exportações
Foto: Fernando Dias
Liquidez segue baixa nos estados do Sul e em Mato Grosso do Sul

O mercado físico de milho no Sul do Brasil e em Mato Grosso do Sul começou 2026 em compasso de espera, com negociações travadas e pouca disposição de compra. De acordo com análise da TF Agroeconômica, o cenário continua marcado por baixa liquidez e postura defensiva por parte dos agentes do setor, com operações pontuais e volumes limitados.

No Rio Grande do Sul, as negociações seguem lentas, sustentadas por transações isoladas entre cooperativas e pequenas indústrias. Os preços variam entre R$ 57,00 e R$ 79,00 por saca, dependendo da região e da logística. Segundo a Emater, o preço médio estadual teve leve alta de 1,17% na semana, passando de R$ 60,00 para R$ 60,70 por saca, movimento que não altera o quadro de cautela. A demanda interna segue moderada, enquanto as exportações ainda não ganharam ritmo.

Em Santa Catarina, a liquidez também continua reduzida. Os produtores pedem cerca de R$ 75,00 por saca, mas as indústrias ofertam em torno de R$ 65,00, mantendo o impasse nas negociações. No Planalto Norte, os negócios ocorrem entre R$ 70,00 e R$ 75,00, sustentados pela oferta ajustada e retenção de estoques. A Epagri destacou que houve queda superior a 40% na população de cigarrinhas, embora o alerta para presença de patógenos permaneça.

No Paraná, a diferença entre pedidas de R$ 70,00 e ofertas próximas a R$ 60,00 (CIF) também limita os negócios. As variações regionais mostram Maringá a R$ 65,69 e Cascavel a R$ 51,81. De acordo com o Deral, a colheita da primeira safra alcançou 18% das áreas, com 94% das lavouras em boas condições, enquanto o plantio da segunda safra avança para 22%.

Já em Mato Grosso do Sul, as cotações caíram para R$ 53,00 a R$ 54,00 por saca, pressionadas pelo aumento da oferta. O setor de bioenergia absorve parte da produção, mas não tem sido suficiente para conter a retração dos preços.

Contratos futuros de milho sobem na B3 com revisão nas exportações

Enquanto o mercado físico permanece lento, o mercado futuro de milho na B3 apresentou comportamento mais firme. As cotações subiram nesta quarta-feira (11), impulsionadas pela revisão positiva nas estimativas de exportação e por movimentos no mercado internacional.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou sua projeção de exportações brasileiras de milho em fevereiro de 793,3 mil para 953,2 mil toneladas. Mesmo com a revisão, o volume ainda é inferior às 3,25 milhões de toneladas embarcadas em janeiro e às 1,32 milhão de toneladas exportadas no mesmo mês de 2025.

Na B3, os contratos futuros tiveram desempenho misto:

  • Março/26: R$ 69,97 por saca (+R$ 0,07 no dia, +R$ 0,18 na semana);
  • Maio/26: R$ 69,93 (-R$ 0,07 no dia, +R$ 0,32 na semana);
  • Julho/26: R$ 68,24 (+R$ 0,07 no dia, +R$ 0,04 na semana).

No mercado internacional, o milho negociado em Chicago também teve variação mista. O contrato março encerrou a US$ 427,50 por bushel (-0,29%), enquanto o maio fechou a US$ 436,50 (-0,17%). O mercado foi influenciado por fatores como as previsões de chuva nas áreas produtoras da Argentina, as incertezas sobre o E-15 nos Estados Unidos e a revisão nas exportações brasileiras, que ampliam a percepção de maior oferta global.

Produção de etanol limita perdas em Chicago

Apesar da pressão externa, o relatório da EIA (Energy Information Administration) trouxe algum suporte às cotações internacionais, indicando aumento na produção diária de etanol nos EUA, que atingiu 1,11 milhão de barris por dia, superando os níveis de 2025. Embora os estoques tenham crescido levemente, o ritmo mais forte de produção ajudou a conter quedas mais expressivas nos preços do milho.

Cenário de cautela no físico e otimismo moderado no futuro

O contraste entre o mercado físico travado e a leve recuperação nos contratos futuros evidencia a transição de um momento de ajuste interno para uma expectativa positiva nas exportações. Enquanto produtores e indústrias do Sul aguardam maior equilíbrio entre oferta e demanda, a movimentação na B3 e as revisões nas projeções da Anec indicam sinais de reação gradual no mercado do milho brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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