Publicado em: 25/02/2026 às 11:50hs
O mercado de milho no Brasil continua apresentando ritmo lento nas negociações, com baixa liquidez e movimentações pontuais. O cenário reflete o avanço da colheita da safra de verão e o início do plantio da segunda safra (safrinha), em meio a um ambiente de cautela tanto por parte de produtores quanto de compradores. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o foco tem sido o consumo interno e a gestão estratégica dos estoques.
No Rio Grande do Sul, as indicações de preço variam entre R$ 54,00 e R$ 72,00 por saca, dependendo da região e dos custos logísticos. O preço médio estadual apresentou queda de 0,89%, passando de R$ 59,34 para R$ 58,81 por saca.
A semeadura da safra 2025/26 está praticamente concluída, com 99% da área plantada, enquanto a colheita já alcança 68%, avanço expressivo frente aos 49% da semana anterior. Apesar de registros pontuais de cigarrinha-do-milho e de impactos em áreas mais tardias, as produtividades são consideradas satisfatórias.
Em Santa Catarina, o mercado segue travado pela diferença entre pedidas e ofertas. Os vendedores pedem R$ 75,00 por saca, enquanto os compradores indicam valores próximos a R$ 65,00. A colheita já chega a 22% da área, com boa produtividade, mas os altos custos logísticos e a retenção de estoques limitam o avanço das negociações.
No Paraná, as vendas ocorrem em torno de R$ 70,00 por saca, com compradores oferecendo cerca de R$ 60,00 CIF. As cotações variam entre regiões, com destaque para Maringá (R$ 65,69) e Cascavel (R$ 51,81). A colheita da primeira safra atinge 25%, enquanto o plantio da safrinha está em 30%, ainda abaixo da média histórica.
Em Mato Grosso do Sul, os preços variam de R$ 53,00 a R$ 55,00 por saca, pressionados pela oferta elevada e pela necessidade de liberar espaço nos armazéns. Mesmo com a demanda crescente do setor de bioenergia, as cotações seguem sob pressão. O plantio da safrinha avança lentamente, atingindo 19% da área.
Na B3 (Bolsa Brasileira de Futuros e Commodities), o milho encerrou a sessão com quedas nos principais contratos futuros, refletindo o fortalecimento do dólar frente ao real e as discussões sobre biocombustíveis nos Estados Unidos.
O contrato março/26 fechou a R$ 70,70 (-R$ 0,62), enquanto o maio/26 encerrou a R$ 70,29 (-R$ 0,56). Já o vencimento julho/26 teve leve alta de R$ 0,05, mas acumula perda semanal de R$ 0,14.
De acordo com a TF Agroeconômica, o atraso no plantio da safrinha, causado pelo excesso de chuvas no centro do país, tem impedido quedas mais acentuadas nos preços. Ainda assim, a colheita da safra de verão e a volatilidade cambial mantêm o mercado em alerta.
Na Chicago Board of Trade (CBOT), o milho registrou variações moderadas. O contrato março/26 subiu 0,06%, a 427,75 centavos por bushel, enquanto o maio/26 recuou 0,40%, para 438,50 centavos.
O mercado acompanha a possível liberação permanente do uso do E-15 (etanol) nos Estados Unidos, além das chuvas na Argentina e do avanço do plantio no Brasil, fatores que podem alterar a oferta global nas próximas semanas.
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou levemente a estimativa de exportações de milho para fevereiro, mas analistas alertam que o fortalecimento do real pode reduzir a competitividade brasileira no curto prazo.
Com o avanço da colheita e o início da safrinha, o mercado deve continuar atento às condições climáticas e à oscilação cambial, fatores determinantes para as próximas movimentações de preço.
Fonte: Portal do Agronegócio
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