Publicado em: 29/01/2026 às 15:00hs
O mercado de milho começa a semana com atenção redobrada sobre o andamento do plantio da safrinha e as condições climáticas nas principais regiões produtoras do país. Segundo análise da Grão Direto, a umidade do solo está adequada para a germinação do milho recém-semeado, mas as chuvas intensas no Centro-Oeste têm atrasado a colheita da soja e o avanço do plantio do cereal.
O atraso preocupa o setor, pois encurta a janela ideal de cultivo e empurra o ciclo produtivo para períodos de maior risco climático, o que pode afetar o rendimento das lavouras.
“O mercado ficará atento a cada dia de atraso, pois isso empurra o ciclo do milho para períodos de maior risco climático”, destacou o especialista da Grão Direto.
Além das questões de campo, o mercado monitora a chamada “Super Quarta”, quando serão divulgadas as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
A expectativa é de que o Copom mantenha a taxa Selic em 15% ao ano, enquanto o Federal Reserve (Fed) deve conservar os juros norte-americanos entre 3,50% e 3,75%. Caso o Banco Central brasileiro adote um tom mais conservador, o custo de carregamento do milho tende a permanecer elevado, pressionando os produtores que necessitam de liquidez.
“Com juros altos, quem precisa de caixa tende a vender mais rápido, o que pode pressionar as bases de preços no interior”, avalia o relatório.
O comportamento do dólar também entra no radar. A moeda norte-americana encerrou a última semana com oscilações entre R$ 5,30 e R$ 5,40, refletindo o humor dos investidores. Um posicionamento mais firme do Banco Central pode atrair capital externo e fortalecer o real, o que reduziria os preços internos dos grãos.
No cenário internacional, os contratos de milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) seguem sustentados por uma demanda estável e pela força do petróleo. Segundo a análise, eventuais altas no petróleo — motivadas por tensões geopolíticas — podem valorizar o milho via etanol, garantindo um piso de suporte para os preços na B3, próximo de R$ 70,00 por saca no mercado futuro.
Esse movimento global pode oferecer alívio aos produtores brasileiros, embora o cenário ainda inspire cautela diante da combinação de juros elevados, dólar volátil e custos de armazenamento altos.
Com o clima e os juros no centro das atenções, a semana tende a ser marcada por movimentos mais lentos e ajustes pontuais nas cotações. A boa produtividade da safra de verão e a expectativa de uma safrinha volumosa ajudam a conter maiores avanços nos preços.
Para os produtores, o momento é de planejamento estratégico. A Grão Direto recomenda que o produtor acompanhe de perto a volatilidade durante a semana de decisões do Copom e avalie oportunidades de fixação de preços sempre que as cotações estiverem em patamares que garantam margem positiva de rentabilidade.
“Com a Selic em 15%, o custo de manter o grão armazenado é significativo. O ideal é usar a volatilidade a favor, vendendo quando o preço estiver dentro de uma faixa sustentável”, orienta o relatório.
A semana promete ser decisiva para o mercado de milho, unindo fatores climáticos e macroeconômicos que influenciam diretamente as negociações. Entre o atraso no plantio da safrinha, a expectativa sobre juros e a variação cambial, o cenário exige cautela e boa gestão de custos e estoques.
Fonte: Portal do Agronegócio
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