Milho e Sorgo

Mercado de milho inicia 2026 com baixa liquidez, mas contratos futuros avançam na B3

Enquanto a comercialização física do milho segue travada no Sul do Brasil, os contratos futuros registram alta na B3, impulsionados por ganhos em Chicago e pela valorização do dólar


Publicado em: 16/02/2026 às 10:15hs

Mercado de milho inicia 2026 com baixa liquidez, mas contratos futuros avançam na B3
Foto: Tony Oliveira
Liquidez limitada marca o início do ano no mercado físico

O mercado de milho no Sul do Brasil começou 2026 com pouca movimentação e negociações pontuais, segundo informações da TF Agroeconômica. A falta de consenso entre produtores e indústrias mantém o ritmo de comercialização travado em diversos estados.

No Rio Grande do Sul, as cotações seguem dispersas, variando entre R$ 57,00 e R$ 79,00 por saca, conforme a região e os custos logísticos. De acordo com levantamento da Emater, o preço médio estadual recuou 2,24%, passando de R$ 60,70 para R$ 59,34/saca, refletindo o comportamento defensivo do mercado.

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante. As ofertas de venda giram em torno de R$ 75,00/saca, enquanto os compradores limitam-se a pagar cerca de R$ 65,00/saca, mantendo o mercado spot praticamente parado. No Planalto Norte, poucos negócios foram registrados entre R$ 70,00 e R$ 75,00/saca, sem grandes variações regionais.

No Paraná, a dinâmica segue o mesmo padrão: produtores pedem aproximadamente R$ 70,00/saca, mas as indústrias atuam perto de R$ 60,00/saca CIF, o que impede avanços significativos nas negociações.

Já no Mato Grosso do Sul, o mercado mostra enfraquecimento. Os preços caíram para R$ 53,00 a R$ 54,00/saca, reflexo da maior oferta disponível e da necessidade dos produtores de liberar espaço nos armazéns e gerar caixa. A região de Dourados concentra as maiores quedas, enquanto compradores seguem cautelosos, utilizando estoques próprios e pressionando ainda mais as cotações.

Contratos futuros avançam e indicam reação na B3

Apesar da lentidão no mercado físico, o milho registrou valorização nos contratos futuros ao longo da semana. Segundo análise da TF Agroeconômica, os papéis negociados na B3 acompanharam a alta das cotações internacionais e a leve recuperação do dólar antes do feriado prolongado no Brasil.

Em Bolsa de Chicago, o milho acumulou ganho de 0,35%, enquanto o dólar avançou 0,17%. No mercado físico nacional, o indicador Cepea subiu 2,04%. Na B3, os contratos apresentaram desempenho ainda mais expressivo: o vencimento março/26 teve alta de 3,09%, e o maio/26 avançou 2,14% na semana.

Na sexta-feira (13), o contrato março/26 fechou a R$ 71,11, com ganho semanal de R$ 2,13, enquanto o maio/26 encerrou a R$ 70,61, acumulando alta de R$ 1,49. Já o julho/26 subiu para R$ 68,69, avanço de R$ 0,74 na semana.

Cenário internacional e clima influenciam expectativas

Nos Estados Unidos, o milho se sustentou diante da pressão vendedora, apoiado na expectativa de aprovação de um projeto de lei que autoriza a venda do combustível E-15 (etanol 15%) durante todo o ano — medida que pode ampliar a demanda por biocombustíveis e fortalecer os preços.

Em termos de produção, o plantio da safrinha em Mato Grosso atingiu 46,07%, índice próximo à média histórica. Na Argentina, a situação é mais delicada: apenas 43% das lavouras são classificadas como boas ou excelentes, o menor nível da temporada, em razão dos efeitos da seca sobre as principais áreas produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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