Publicado em: 23/01/2026 às 11:20hs
O mercado brasileiro de milho encerra a semana sob viés de queda nas cotações, influenciado pelo aumento da oferta em diversos estados produtores. A ampla disponibilidade do cereal, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tem levado os preços a oscilar entre estabilidade e desvalorização.
De acordo com o consultor da Safras & Mercado, Paulo Molinari, o avanço da colheita e a maior presença de vendedores no mercado têm pressionado as negociações. Nos portos, as cotações seguem recuando: em Santos (SP), o milho é negociado entre R$ 67,50 e R$ 71,00 por saca (CIF), enquanto em Paranaguá (PR) os preços variam de R$ 67,00 a R$ 70,00.
No interior, as referências também apresentam retração:
No cenário internacional, os preços do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram avanços moderados ao longo da semana. O contrato março/2026 fechou a US$ 4,24 por bushel, com alta de 0,53%, enquanto o maio/2026 subiu 0,58%, para US$ 4,32¼ por bushel.
A alta foi sustentada pela demanda consistente por grãos norte-americanos e pela desvalorização do dólar, que tornou os produtos dos EUA mais competitivos no mercado global. Segundo o site internacional Successful Farming, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou novas vendas externas por dez dias úteis consecutivos, incluindo 345 mil toneladas de milho e 192,3 mil toneladas de soja para compradores não identificados.
O analista Tony Dreibus, da Successful Farming, destacou que a sequência de anúncios reforça a expectativa de exportações firmes, mesmo diante da ampla oferta global.
O dólar comercial encerrou a semana com leve alta de 0,21%, cotado a R$ 5,29, enquanto o Dollar Index recuou 0,02%, a 98,34 pontos. Já o petróleo tipo WTI, com vencimento em março, operou em alta de 1,83%, a US$ 60,45 por barril em Nova York, apoiando o avanço das commodities agrícolas.
Nas bolsas internacionais, o desempenho foi misto: Paris recuou 0,34%, Frankfurt subiu 0,12% e Londres avançou 0,14%. Na Ásia, os índices fecharam em terreno positivo, com Xangai em +0,33% e Japão em +0,09%.
Na América do Sul, o Ministério da Economia da Argentina, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca, informou que o plantio de milho da safra 2025/26 atingiu 94% da área total prevista, equivalente a 10,46 milhões de hectares. Na mesma época do ano passado, o percentual era igual, mas sobre uma área menor — 9,24 milhões de hectares.
O avanço no plantio argentino reforça o cenário de ampla oferta regional, o que limita altas mais expressivas nas cotações internacionais.
Enquanto Chicago operava em leve alta, os preços do milho na B3 abriram em baixa nesta sexta-feira (23). Por volta das 10h07 (horário de Brasília), as cotações recuavam entre 0,01% e 0,65%:
O movimento é atribuído a ajustes técnicos e à pressão de oferta interna, mesmo com o suporte do mercado externo.
O mercado segue atento ao ritmo de colheita da safra de verão e ao avanço do plantio da segunda safra (safrinha). A boa produtividade e o clima favorável em boa parte do país tendem a manter a pressão de baixa nos preços domésticos no curto prazo.
No exterior, a demanda internacional e a trajetória do dólar devem seguir como os principais fatores de sustentação para as cotações do milho em Chicago nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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