Publicado em: 11/02/2026 às 11:30hs
O mercado de milho no Sul do Brasil e em Mato Grosso do Sul iniciou o ano em compasso de cautela. O avanço da colheita e o aumento gradual da oferta têm mantido as negociações em ritmo lento, segundo análise da TF Agroeconômica. A liquidez segue baixa, com variações regionais nos preços e impasses entre pedidas e ofertas, refletindo o comportamento defensivo dos compradores.
No Rio Grande do Sul, a colheita avança e aumenta a disponibilidade do grão, mas o mercado permanece restrito, com negócios isolados entre cooperativas e pequenas indústrias. As cotações variam entre R$ 57,00 e R$ 79,00 por saca, dependendo da região e dos custos logísticos.
De acordo com a Emater, o preço médio estadual teve leve alta de 1,17%, passando de R$ 60,00 para R$ 60,70 por saca. Mesmo assim, o movimento não altera o cenário de prudência. A Conab aponta que 99% da área prevista já foi semeada e 39% colhida, enquanto a demanda interna segue moderada e as exportações, lentas.
Em Santa Catarina, o desalinhamento entre produtores e indústrias persiste. Enquanto os agricultores pedem cerca de R$ 75,00 por saca, as indústrias ofertam valores próximos de R$ 65,00. No Planalto Norte, os poucos negócios ocorrem entre R$ 70,00 e R$ 75,00. Segundo a Epagri, houve redução superior a 40% na população de cigarrinhas, embora o alerta sanitário permaneça vigente. A colheita da safra 2025/26 atinge 12%.
No Paraná, a colheita chega a 10%, mas o mercado também se mantém travado. As pedidas giram em torno de R$ 70,00, contra R$ 65,00 CIF ofertados por compradores. Em Cascavel, o preço médio é de R$ 56,70, e em Ponta Grossa, R$ 65,20. A segunda safra já tem 12% da área semeada.
Em Mato Grosso do Sul, o excesso de oferta continua pesando sobre as cotações, que permanecem entre R$ 53,00 e R$ 54,00 por saca. Mesmo com a demanda do setor de bioenergia, o volume não tem sido suficiente para conter a pressão baixista.
Apesar do cenário físico travado, os contratos futuros de milho registraram alta na B3 nesta terça-feira. O movimento foi impulsionado por ajustes técnicos e pela leitura dos novos dados de oferta e demanda divulgados pelo governo norte-americano (USDA).
Segundo a TF Agroeconômica, o mercado acompanha o avanço da colheita da primeira safra, que chega a 11%, e o plantio da safrinha, em 21%, fatores que seguem no radar dos investidores.
O contrato março/26 fechou a R$ 69,90, com alta diária de R$ 1,05, apesar de acumular queda semanal de R$ 0,30. O maio/26 encerrou a R$ 70,00, valorizando R$ 0,95 no dia, enquanto o julho/26 subiu para R$ 68,17, com ganho de R$ 0,14.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços também avançaram levemente após o relatório do USDA, que mostrou aumento nas exportações e redução nos estoques finais dos Estados Unidos. O contrato março fechou estável em 428,75 cents/bushel, e o maio subiu 0,06%, para 437,25 cents/bushel.
Apesar dos ajustes positivos, o mercado segue contido pela demanda interna, especialmente no uso de milho para etanol, que representa 32,9% da colheita, abaixo dos 35% considerados ideais pelo setor. O cenário indica que, embora os contratos futuros deem sinais de recuperação, o mercado físico ainda enfrenta desafios de liquidez e excesso de oferta.
Fonte: Portal do Agronegócio
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