Milho e Sorgo

Interrupção nas remessas de milho do Mar Negro deve inflamar o mercado brasileiro

A situação da safra de verão desta temporada na América do Sul dominou os fios do mercado internacional durante esses primeiros meses do ano, induzidas pelas condições de seca induzidas por La Niña - fenômeno natural que consiste na diminuição da temperatura na superfície das águas do Oceano Pacífico, principalmente nas zonas equatoriais, afetando severamente a produção de milho e soja


Publicado em: 25/04/2022 às 11:35hs

Interrupção nas remessas de milho do Mar Negro deve inflamar o mercado brasileiro

Primeiramente, o impactou surgiu quando em 24 de fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin abruptamente ordenou a invasão da Ucrânia, catapultando a produção de grãos do Mar Negro e as exportações para a primeira página de publicações rurais em todo o mundo. Contudo, à medida que a guerra continua, a incerteza está aumentando em torno das exportações de milho da Ucrânia e das novas produções agrícolas. A consequência disso a médio prazo deve ser a de estabelecer mercados alternativos ou secundários, como o Brasil. 

A Ucrânia colheu uma safra recorde de milho no final do ano passado, e as exportações também deveriam ser um recorde nesta temporada 2021-2022, obviamente antes de Putin decidir invadir o país. Com os trâmites, os consumidores globais foram forçados a buscar suprimentos alternativos nas proximidades, uma vez que os embarques dos portos da Ucrânia foram interrompidos indefinidamente. 

Esse movimento fez com que aumentasse drasticamente a importância da segunda safra de milho do Brasil na equação de oferta mundial. A safra brasileira, também conhecida como safra de milho safrinha, representa cerca de três quartos da produção brasileira a cada ano. As primeiras consumam ser colhidas no período de fevereiro a abril e são amplamente consumidas no mercado interno, visto que, é predominantemente cultivado perto das empresas pecuárias, de aves e suínos no sul do país.

Além disso, como os custos de transporte da maioria das principais áreas de produção de milho safrinha para os pólos de exportação são geralmente mais baratos do que o frete para as regiões de consumo interno primário, a segunda safra de milho tem sido tradicionalmente muito mais fortemente exportada do que a primeira safra. Ou seja, ela é geralmente colhida no período de junho a agosto de cada ano, assim como o período de pico de exportação de soja começa a desacelerar - liberando a capacidade portuária para as exportações de milho. 

Outro fator importante é que a semeadura da safra de safrinha deste ano está quase terminada. Plantada dentro da janela climática ideal, é relatado estar se desenvolvendo extremamente bem. De acordo com a consultoria do agronegócio AgRural, 94% da safra no Brasil está no solo, o que representa 20 pontos percentuais à frente de onde estava no mesmo período do ano passado. 

Os estados centrais de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais respondem por cerca de 60% da produção de milho safrinha, e o plantio foi encerrado nesses estados no início deste mês. As plantações estão em excelentes áreas com controle de umidade do solo na maioria das regiões, perfeito para o crescimento precoce. 

Entretanto, nem tudo são flores. As chuvas em março e abril têm sido mais isoladas e abaixo da média em muitos distritos. Com isso, podem ser encontrados déficits de mais de 100 milímetros em Goiás e Minas Gerais, com déficits entre 50 e 100 milímetros em grande parte de Mato Grosso. 

Deficiências pluviométricas dessa magnitude irão consumir a umidade do subsolo, à medida que as plantas de milho crescem e exigem mais água, e serão prejudiciais à produção se as chuvas generalizadas não chegarem nas próximas semanas. Isso ocorre quando os produtores estão procurando a umidade do solo antes da estação seca, que tradicionalmente começa na primeira semana de maio. 

Dada as condições climáticas de La Nina - que persistem muito mais do que a maioria dos meteorologistas esperava - a estação chuvosa tende a terminar uma ou duas semanas antes. Caso isso ocorra, talvez apenas três semanas restem para complementar o solo com umidade suficiente para terminar a colheita. 

Apesar de algumas chuvas nas últimas semanas, as condições climáticas são extraordinariamente secas no sul do Brasil. Para se ter uma noção, o Rio Grande do Sul suportou o peso da seca desta temporada, que reduziu a produção de soja do estado em cerca de 50 pc. Felizmente, o estado não produz milho safrinha. 

Por outro lado, o Paraná, que tem cerca de 94 pc plantados, também sofre de secura. Tipicamente o segundo maior estado produtor do país, uma planta tardia, a seca e uma onda de frio no final da temporada cortaram a produção de milho safrinha dos paranaenses na metade do ano passado. Uma repetição deste cenário não seria nada boa para as exportações deste ano. 

A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), reduziu sua estimativa de produção de milho para 24,3 milhões de toneladas há algumas semanas. Contudo, sua perspectiva para a segunda safra crítica foi aumentada para 86,2 milhões de toneladas, totalizando uma produção de 112,3 milhões de toneladas. No ano passado, a primeira e segunda safras foram de 24,7 milhões de toneladas e 60,7 milhões de toneladas, respectivamente, para a produção total de 87,1 milhões de toneladas. 

Conforme a Safras & Mercado, agricultores de muitas regiões têm respondido aos sinais de preços elevados e quase certamente plantaram mais milho de segunda safra do que o inicialmente planejado. Como resultado, as empresas pretendem aumentar a produção de milho safrinha, possivelmente para mais de 83 milhões de toneladas, prevendo-se uma safra total recorde de milho de 115,7 milhões de toneladas. 

De encontro a isso, segundo a Agroconsult, uma consultoria agrícola, registrou uma expectativa de segunda safra muito maior, de 92,2 milhões de toneladas. A empresa fará um levantamento de campos de milho em todo o país nas próximas semanas para confirmar a estimativa, que é 52 pc maior do que a produção do ano passado. Na frente de exportação, a Safras & Mercado desembarcou em 34,5 milhões de toneladas no ano passado, o que representa um aumento de 66 pc em relação ao ano passado. 

Atualmente, a CONAB está um pouco acima de 35 milhões de toneladas, contra 36,68 milhões de toneladas em janeiro, todavia esta previsão foi divulgada antes da incursão da Ucrânia. O provedor internacional de serviços financeiros StoneX está muito mais otimista com o aumento do papel do Brasil no comércio de milho deste ano, registrando uma estimativa de exportação de 40 milhões de toneladas, quase o dobro do ano passado. 

Um adendo importante de se fazer é que com a inflação, os preços para os exportadores devem estar bastante extremamente atrativos, fato que deve impactar diretamente do valor interno, custando mais caro nos bolsos dos brasileiros. A interrupção das exportações de milho do Mar Negro inflamou o mercado, que tem no Brasil todos seus holofotes virados para suprir a cadeia deixada aberta pelas remessas que viam do sudeste europeu. 

Fonte: Assessori de Imprensa Adriano da Silva Santos

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