Publicado em: 26/02/2026 às 10:10hs
O Extremo-Oeste catarinense deve registrar uma das maiores produtividades de milho do país na safra 2025/26. De acordo com o levantamento preliminar do Giro da Safra, realizado em São Miguel do Oeste, a região deve colher, em média, 200,1 sacas por hectare. O estudo é fruto de uma parceria entre a Epagri e o Sicoob Central SC/RS, e avaliou até agora 70 lavouras da região.
O projeto contempla 87 propriedades rurais distribuídas por municípios como Belmonte, Caibi, Cunha Porã, Descanso, Dionísio Cerqueira, Guaraciaba, Iporã do Oeste, Maravilha, Palmitos, Pinhalzinho, São José do Cedro e Saudades.
Os municípios com melhor desempenho até o momento são Pinhalzinho, com 219,3 sacas/ha, Cunha Porã, com 216,4 sacas/ha, e Guaraciaba, com 215,1 sacas/ha.
Segundo Walmir Kretschmer, assistente de pesquisa da Epagri/Cepa, os dados consolidados serão divulgados em encontros com agricultores, cooperativas e representantes do setor produtivo das regiões de São Miguel do Oeste e Palmitos. Além da análise técnica, a iniciativa busca subsidiar políticas públicas e orientar práticas agrícolas mais eficientes.
Para o presidente da Epagri, Dirceu Leite, o Giro da Safra é uma ferramenta fundamental para o planejamento do setor agrícola. Ele reforça que as estimativas de produção de milho são estratégicas para Santa Catarina, um dos estados brasileiros mais dependentes desse grão, essencial para sustentar a cadeia da produção animal.
Com base nesses indicadores, o governo estadual e o setor produtivo podem definir ações para fortalecer o cultivo do milho e reduzir a dependência de importações.
Já o coordenador de Planejamento e Estratégia Agro do Sicoob Central SC/RS, Paulo Vitor Sangaletti, destacou o sucesso do evento, que chega à terceira edição.
“Nossas equipes têm conseguido ir a campo com mais frequência, levando informações precisas aos produtores e profissionais do agronegócio. Essa parceria entre grandes instituições de Santa Catarina fortalece a rede de cooperação e garante que o conhecimento chegue de forma prática e efetiva”, afirmou.
Um dos pontos destacados no evento foi a consistência entre a produtividade estimada e os resultados informados pelos produtores, o que reforça a confiabilidade do levantamento.
O Giro da Safra também avaliou parâmetros técnicos, como a plantabilidade — que mede a precisão na distribuição das sementes — e o índice de compactação do solo, indicadores fundamentais para garantir o desempenho e a sustentabilidade das lavouras.
Durante o encontro, o pesquisador Júlio César Ramos e o extensionista Zolmir Frizzo ministraram a palestra “Como as práticas conservacionistas interferem na sustentabilidade dos sistemas produtivos”, destacando como o manejo adequado do solo contribui para altos índices de produtividade e redução de impactos ambientais.
A ação conta com o apoio da Unoesc, Epagri/Cedup, Cooper A1, Cooper Itaipu, Auriverde, Alfa, Afulra e Seguros do Sicoob. A segunda etapa do Giro da Safra será realizada no dia 25 de março, em Campos Novos.
Nos últimos dez anos, a produção de milho em Santa Catarina registrou oscilações significativas, influenciadas por fatores climáticos e pela competição com outras culturas, como a soja.
A área cultivada passou de 371 mil hectares na safra 2015/16 para 258 mil hectares em 2025/26, uma redução de cerca de 30%.
Apesar da retração, o estado tem alcançado recordes de produtividade. Na safra 2024/25, Santa Catarina registrou 9.350 kg/ha, o maior valor da série histórica. Os municípios que mais se destacaram foram Campo Erê, com 12.953 kg/ha, Faxinal dos Guedes e Abelardo Luz.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias