Exportações de sorgo ganham escala com demanda da China e safra recorde no Brasil
Embarques programados para agosto somam 407,7 mil toneladas, enquanto produção brasileira cresce 23,8% e alcança 7,56 milhões de toneladas na safra 2025/26
Publicado em: 24/08/2026 às 19:00hs
O sorgo brasileiro entrou em uma nova fase no comércio internacional em 2026. A reabertura do mercado chinês, combinada ao forte crescimento da produção nacional, ampliou o potencial exportador do cereal e criou novas perspectivas para produtores, armazenadores, tradings e operadores logísticos.
Segundo análise de Jardel Oliveira de Paula, a programação de agosto alcançou 407,7 mil toneladas distribuídas em seis embarques. O volume sinaliza uma mudança significativa de escala nas vendas externas, especialmente quando comparado à operação inicial realizada no começo do ano.
China impulsiona nova etapa das exportações brasileiras de sorgo
A retomada das exportações de sorgo para a China foi viabilizada pelo protocolo sanitário e fitossanitário firmado em maio de 2025. No fim daquele ano, dez estabelecimentos brasileiros receberam autorização para participar das operações comerciais.
O primeiro embarque ocorreu em janeiro de 2026, com aproximadamente 25,8 toneladas. A operação teve caráter experimental e serviu para testar procedimentos sanitários, documentais e logísticos.
Nos meses seguintes, o fluxo ganhou força. A programação de novos carregamentos pelos portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná, demonstra que o cereal começa a avançar além das operações iniciais e a conquistar espaço efetivo no mercado externo.
Produção de sorgo cresce 23,8% na safra 2025/26
A expansão das exportações acontece em meio ao aumento expressivo da oferta brasileira. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 7,56 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/26.
O resultado representa crescimento de 23,8% em relação ao ciclo anterior e fortalece a capacidade do Brasil de atender simultaneamente ao consumo doméstico e aos compradores internacionais.
O avanço produtivo cria oportunidades de diversificação de receita para os agricultores, sobretudo em regiões onde o sorgo é cultivado como alternativa para a segunda safra. Ao mesmo tempo, o aumento da disponibilidade exige investimentos e maior eficiência na armazenagem, segregação, padronização e rastreabilidade dos lotes.
Mercado externo pode influenciar preços do sorgo no Brasil
Tradicionalmente, o preço do sorgo acompanha o comportamento do milho devido à utilização dos dois cereais na alimentação animal e em diferentes atividades industriais. Com o crescimento das exportações, porém, a paridade internacional passa a exercer influência adicional sobre a formação das cotações domésticas.
Quando a remuneração oferecida pelo mercado externo superar os valores praticados internamente, a disputa pelo produto tende a aumentar. Esse movimento poderá elevar a competição entre exportadores, fábricas de ração e demais consumidores nacionais.
A nova dinâmica também poderá favorecer a valorização do sorgo nas regiões próximas aos corredores de exportação, especialmente onde houver infraestrutura adequada para armazenagem e transporte até os terminais portuários.
Logística e padronização são desafios para consolidar os embarques
A abertura do mercado chinês representa uma oportunidade estratégica, mas não garante, isoladamente, a continuidade das exportações. Para transformar os embarques atuais em um fluxo comercial recorrente, a cadeia produtiva precisará assegurar escala, qualidade e regularidade no fornecimento.
Entre os principais desafios estão a disponibilidade de armazéns, a separação adequada dos lotes, o cumprimento das exigências sanitárias, a rastreabilidade da produção e a organização logística até os portos.
A coordenação entre produtores, cooperativas, cerealistas, tradings e empresas de transporte será determinante para reduzir custos, evitar gargalos e garantir o atendimento dos contratos internacionais.
Sorgo amplia participação na pauta agrícola brasileira
O crescimento da safra e a entrada da China como compradora podem reposicionar o sorgo dentro do agronegócio brasileiro. Além de servir como alternativa ao milho no mercado interno, o cereal passa a contar com uma nova frente de demanda capaz de estimular a produção e atrair investimentos.
A consolidação desse mercado dependerá da capacidade do Brasil de manter competitividade, previsibilidade e conformidade com as regras exigidas pelos compradores. Se esses fatores avançarem de forma coordenada, o sorgo poderá ganhar presença permanente na pauta brasileira de exportações agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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