Publicado em: 22/01/2026 às 10:10hs
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou novo relatório técnico apontando um aumento nos custos de produção do milho na safra 2025/26. De acordo com o levantamento, o custeio médio da lavoura atingiu R$ 3.319,51 por hectare, representando alta de 2,56% em relação à safra anterior.
Segundo o instituto, o movimento é resultado principalmente do aumento das despesas com sementes e fertilizantes, impulsionado pela elevação do dólar e pelo encarecimento dos insumos industriais ao longo de 2025.
O relatório do Imea detalha que as despesas com sementes cresceram 1,91%, totalizando R$ 777,49 por hectare. Já os fertilizantes, principal componente de custo, tiveram alta de 5,93%, alcançando R$ 1.421,89 por hectare.
Os defensivos agrícolas também apresentaram ligeiro aumento, de 0,25%, com custo médio estimado em R$ 737,78 por hectare. Esses incrementos refletem tanto o câmbio mais elevado quanto o reajuste de preços na cadeia de produção de insumos.
Com a elevação dos custos diretos, o Custo Operacional Efetivo (COE) — que considera os gastos essenciais da lavoura — subiu 4,22%, chegando a R$ 4.806,17 por hectare.
Já o Custo Operacional Total (COT), que inclui depreciações e outras despesas administrativas, apresentou alta de 4,80%, sendo projetado em R$ 5.394,08 por hectare.
Esses valores indicam que o produtor precisará de maior eficiência produtiva e planejamento comercial para manter a rentabilidade, especialmente diante de preços médios ainda pressionados.
O Imea calculou o ponto de equilíbrio econômico com base em uma produtividade média estimada de 116,61 sacas por hectare.
Com isso, o instituto projetou que o produtor precisa vender o milho a R$ 41,22/sc para cobrir o COE, R$ 46,26/sc para cobrir o COT e R$ 57,68/sc para arcar com o Custo Total (CT).
Entretanto, o preço médio do milho comercializado em dezembro de 2025 foi de R$ 45,95 por saca, segundo o levantamento. Esse valor é suficiente apenas para cobrir os custos operacionais efetivos, mas fica abaixo do necessário para remunerar todos os custos da atividade, incluindo o capital investido e a depreciação.
De acordo com os analistas do Imea, o cenário reforça a importância do planejamento financeiro e da gestão de risco comercial por parte dos produtores mato-grossenses.
Com custos crescentes e preços ainda limitados, o uso de estratégias de hedge, contratos futuros e travas de preços pode ser decisivo para garantir a sustentabilidade da safra 2025/26.
Fonte: Portal do Agronegócio
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