Concurso Getap Verão 2026/27 abre inscrições e coloca produtividade do milho sob teste do El Niño
Competição recebe inscrições até 30 de novembro e vai avaliar lavouras de milho em diferentes regiões, comparando manejo, genética, fertilidade do solo e estratégias adotadas pelos produtores
Publicado em: 24/09/2026 às 10:00hs
Estão abertas as inscrições para o Concurso Verão 2026/27 do Grupo Tático de Aumento de Produtividade (Getap). Os produtores interessados podem participar até 30 de novembro, em uma edição que terá como um dos principais pontos de atenção a influência do El Niño sobre as condições de chuva e temperatura durante o ciclo do milho.
A competição reunirá agricultores de diferentes regiões produtoras para acompanhar áreas conduzidas com estratégias voltadas à produtividade, incluindo investimentos em manejo, fertilidade do solo, genética e tecnologia.
Mais do que estabelecer uma comparação entre volumes colhidos, o concurso busca reunir dados capazes de mostrar como diferentes decisões agronômicas influenciam o desempenho das lavouras diante das condições específicas de cada região.
El Niño aumenta atenção sobre o milho
A edição 2026/27 ocorre depois de uma sequência de concursos marcada por elevados níveis de produtividade entre os participantes.
Para Gustavo Capanema, coordenador técnico do Getap, o novo ciclo permitirá observar como produtores e consultores ajustam suas estratégias diante de um ambiente de maior variabilidade climática.
“O El Niño pode alterar os padrões de chuva e temperatura, por isso o agricultor precisa estar ainda mais atento às tomadas de decisão no campo”, afirma.
Os efeitos do fenômeno climático, porém, não são uniformes. A intensidade e a distribuição das alterações de chuva e temperatura podem variar conforme a localização e as características de cada região produtora.
Por isso, o acompanhamento das condições climáticas ao longo do ciclo ganha importância para a tomada de decisões no campo.
Manejo pode reduzir exposição aos riscos
Em um cenário de maior variabilidade climática, diferentes componentes do sistema produtivo passam a ser observados com atenção.
Entre eles estão:
- construção da fertilidade e do perfil do solo;
- escolha dos híbridos;
- posicionamento dos materiais genéticos;
- definição da época de plantio;
- acompanhamento do desenvolvimento das lavouras;
- manejo adequado ao potencial produtivo de cada área.
Segundo Capanema, o investimento em tecnologia e manejo não elimina os efeitos de eventos climáticos adversos, mas pode contribuir para reduzir vulnerabilidades.
“A alta performance não anula as intempéries climáticas, mas ajuda a reduzir as vulnerabilidades por meio de manejo, tecnologia e investimento”, destaca.
A proposta do concurso é justamente acompanhar, com dados, como essas decisões se refletem no desempenho das áreas participantes.
Produtividade não será o único indicador
Embora a produtividade seja um dos principais parâmetros da competição, a avaliação das áreas considera também outros indicadores técnicos.
Entre os dados analisados estão a população de plantas obtida, o número de grãos por espiga e o peso dos grãos.
A combinação desses indicadores permite ampliar a análise do desempenho da lavoura e identificar quais componentes contribuíram para o resultado alcançado.
Os resultados passam por auditoria técnica independente, e os participantes recebem um laudo detalhado com informações sobre o desempenho da área.
O material também contempla comparativos de manejo e análise financeira, permitindo uma avaliação mais ampla dos resultados obtidos.
Histórico aumenta expectativa para a edição 2026/27
As edições anteriores do concurso registraram produtividades elevadas entre os participantes, criando expectativas para a nova temporada.
Capanema, no entanto, ressalta que o desempenho de cada safra depende da combinação entre as condições climáticas, as características das áreas e as decisões tomadas pelos produtores.
“Não podemos prometer novos recordes, mas também não precisamos reduzir as expectativas. Sabemos que é possível nos surpreendermos com os resultados”, afirma.
A competição passa, dessa forma, a funcionar também como um ambiente de comparação entre diferentes estratégias agrícolas.
Dados ajudam produtor a comparar estratégias
Além da disputa por produtividade, o Getap busca transformar os resultados das lavouras em informações úteis para os participantes.
A comparação entre áreas permite observar diferenças de população, componentes de rendimento, manejo e retorno econômico.
Em um cenário de maior pressão sobre custos e de variabilidade climática, esse tipo de informação pode auxiliar produtores e consultores na identificação dos fatores que mais influenciam o desempenho do milho.
Para Capanema, a capacidade técnica terá papel importante no novo ciclo.
“Será um ano interessante para observar como a capacidade técnica faz diferença diante de um cenário desafiador”, conclui.
Como participar do Concurso Getap Verão 2026/27
Os produtores interessados podem realizar a inscrição pelo site oficial do Getap até 30 de novembro.
Um mesmo agricultor poderá cadastrar diferentes áreas para participar da competição.
Também existe a possibilidade de inscrição por meio dos patrocinadores, utilizando cupom de custeio. Para produtores independentes, sem patrocínio, será disponibilizado um código que permite a inscrição sem custos.
Caso o participante independente opte pela realização da auditoria, entretanto, os serviços de análise não estarão incluídos.
Milho entra em novo ciclo de avaliação técnica
O Concurso Getap Verão 2026/27 chega em uma temporada na qual o clima deve ocupar espaço importante nas decisões agronômicas.
Com diferentes condições regionais e possibilidade de maior variabilidade de chuva e temperatura, o desempenho das lavouras dependerá da interação entre genética, solo, manejo, tecnologia, clima e decisões tomadas ao longo do ciclo.
Ao reunir essas informações e submetê-las a uma avaliação técnica, o concurso amplia a possibilidade de comparar não apenas quem produziu mais, mas também quais fatores estiveram associados aos resultados obtidos em cada área.
Fonte: Portal do Agronegócio
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