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Milho e Sorgo

Colheita do milho safrinha chega a 78,2% e recordes de produtividade pressionam logística em Mato Grosso

Avanço da segunda safra de milho acelera no Brasil, mas elevado volume produzido em Mato Grosso provoca gargalos de armazenamento; no Paraná, chuvas aumentam o acamamento das lavouras


Publicado em: 12/08/2026 às 11:00hs

Colheita do milho safrinha chega a 78,2% e recordes de produtividade pressionam logística em Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra avança pelo Brasil, mas o ritmo das operações e as condições das lavouras apresentam cenários distintos entre os principais estados produtores. Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até sexta-feira (7), 78,2% das áreas de milho safrinha já haviam sido colhidas.

O percentual representa avanço de 9,1 pontos percentuais em apenas uma semana, já que a colheita estava em 69,1% na semana anterior.

Apesar da aceleração, o ritmo permanece abaixo do observado no mesmo período de 2025, quando 83,7% das lavouras já haviam sido colhidas, e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 81,4%.

Mato Grosso se aproxima do fim da colheita

Entre os principais produtores, Mato Grosso apresenta o maior avanço na colheita, com 99,4% das áreas já retiradas do campo.

Os técnicos da Conab destacam que a produção mato-grossense apresenta produtividades próximas dos níveis recordes registrados na safra anterior.

O desempenho elevado, porém, trouxe um efeito colateral para a cadeia logística.

O grande volume de milho produzido tem provocado gargalos no transporte e na armazenagem, com parte significativa do cereal permanecendo armazenada a céu aberto.

A situação aumenta a pressão sobre estruturas de armazenamento, transporte e comercialização justamente durante o período de maior concentração da oferta da segunda safra.

Alta produtividade aumenta pressão sobre armazenagem

A combinação entre produção elevada e ritmo de retirada do campo exige maior capacidade logística para escoar o milho.

Em Mato Grosso, onde a colheita está praticamente concluída, a oferta abundante coloca o sistema de armazenagem sob pressão e pode elevar os desafios para produtores e empresas na movimentação do cereal.

O cenário também reforça a importância dos investimentos em infraestrutura de armazenagem e transporte para acompanhar o crescimento da produção agrícola brasileira.

Paraná supera metade da colheita, mas chuvas preocupam

No Paraná, a colheita da segunda safra já ultrapassou a metade das áreas cultivadas, alcançando 52%.

Apesar de as produtividades permanecerem elevadas, as condições climáticas vêm aumentando a preocupação no campo.

As chuvas frequentes têm provocado maior exaustão dos colmos das plantas e elevado o acamamento das lavouras.

O problema pode dificultar a operação das máquinas, aumentar perdas durante a colheita e comprometer parte do potencial produtivo caso as condições adversas persistam.

A situação exige atenção dos produtores paranaenses, principalmente nas áreas que ainda permanecem no campo.

Mato Grosso do Sul reduz ritmo por causa das chuvas

No Mato Grosso do Sul, a colheita alcançou 47% das áreas, mas o avanço semanal perdeu velocidade.

Segundo a Conab, as operações foram prejudicadas pelo período de chuvas, principalmente nas regiões próximas à fronteira com o Paraguai.

A umidade elevada dificulta o acesso das máquinas às lavouras e pode interromper temporariamente os trabalhos de campo.

Onde a colheita do milho está mais avançada?

A segunda safra apresenta diferentes estágios de desenvolvimento entre os estados produtores.

Até a última sexta-feira (7), os maiores percentuais de colheita eram:

  • Tocantins: 100%;
  • Maranhão: 100%;
  • Mato Grosso: 99,4%;
  • Piauí: 95%;
  • Goiás: 74%;
  • São Paulo: 55%;
  • Paraná: 52%;
  • Minas Gerais: 48%;
  • Mato Grosso do Sul: 47%.

Do restante das áreas ainda não colhidas, 21,1% estavam em maturação e 0,6% permaneciam em enchimento de grãos.

Colheita do milho segue abaixo da média histórica

Mesmo com o avanço expressivo registrado na última semana, o ritmo nacional da colheita ainda permanece abaixo dos padrões recentes.

Os 78,2% colhidos representam uma diferença de:

  • 5,5 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025;
  • 3,2 pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos.

A diferença está relacionada principalmente ao calendário das lavouras e às condições climáticas registradas em algumas regiões produtoras.

Cenário exige atenção de produtores e mercado

A evolução da colheita reforça dois pontos importantes para o mercado brasileiro de milho: produtividade elevada e desafios logísticos.

Em Mato Grosso, o desempenho próximo dos recordes amplia a oferta de cereal e pressiona a capacidade de armazenagem e transporte. No Paraná e em Mato Grosso do Sul, por outro lado, o excesso de chuvas interfere diretamente no ritmo das operações e aumenta os riscos de perdas no campo.

Com mais de três quartos da segunda safra já colhidos, o mercado acompanha agora o avanço das operações nas áreas restantes e os impactos que o ritmo de retirada do milho poderá provocar sobre preços, armazenagem, transporte e comercialização.

Milho safrinha entra na reta final

A segunda safra de milho entra em uma fase decisiva no Brasil. Enquanto estados como Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Piauí praticamente encerraram os trabalhos, outras regiões ainda enfrentam desafios climáticos.

A combinação entre produção elevada, necessidade de escoamento e condições climáticas adversas será determinante para o desempenho da reta final da colheita e para o fluxo de milho no mercado brasileiro nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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