Milho e Sorgo

Colheita do milho safrinha avança lentamente em Minas Gerais e Goiás devido à alta umidade dos grãos

Produtores adiam a colheita para reduzir perdas, enquanto clima frio desacelera a secagem natural do milho; produtividade inicial apresenta resultados distintos entre as principais regiões produtoras.


Publicado em: 09/07/2026 às 10:35hs

Colheita do milho safrinha avança lentamente em Minas Gerais e Goiás devido à alta umidade dos grãos

A colheita da segunda safra de milho (milho safrinha) começou a ganhar ritmo em importantes regiões produtoras do Brasil, mas ainda avança lentamente em função da elevada umidade dos grãos. Em Minas Gerais e Goiás, dois dos principais estados produtores do cereal, agricultores aguardam melhores condições para intensificar os trabalhos e evitar descontos na comercialização e nos custos de secagem.

Apesar do tempo firme registrado nas últimas semanas, as temperaturas mais baixas durante a noite têm retardado a perda natural de umidade nas lavouras, mantendo o teor de água acima do ideal para armazenamento e transporte.

Unaí (MG) colhe menos de 5% da área cultivada

Na região de atuação da Cooperativa Agrícola de Unaí Ltda. (Coagril), no noroeste de Minas Gerais, a colheita foi iniciada recentemente e ainda alcança menos de 5% dos 180 mil hectares cultivados.

Segundo o departamento técnico da cooperativa, os produtores têm evitado antecipar a retirada do milho porque os grãos ainda apresentam umidade superior a 20%, índice considerado elevado para comercialização.

Embora o clima esteja seco nos últimos dias, o frio durante a madrugada reduz a velocidade de secagem das espigas no campo, fazendo com que muitos agricultores optem por aguardar melhores condições antes de intensificar a colheita.

A expectativa é de que o ritmo aumente a partir da próxima semana, caso as condições climáticas permaneçam favoráveis.

Os primeiros levantamentos indicam produtividade média próxima de 4.200 quilos por hectare na região.

Produção de milho deve crescer em Minas Gerais

De acordo com estimativas de Safras & Mercado, Minas Gerais deverá produzir 3,855 milhões de toneladas de milho safrinha na temporada 2025/26, volume ligeiramente superior às 3,777 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.

A área cultivada deverá alcançar 763,55 mil hectares, crescimento em relação aos 756,23 mil hectares da safra passada.

Já a produtividade média estadual é projetada em 5.050 quilos por hectare, superando os 4.995 quilos por hectare obtidos em 2024/25.

Colheita em Goiás alcança 15%, mas umidade continua elevada

Em Goiás, a colheita também evolui lentamente. Na área de atuação da Cooperativa Comigo, que reúne aproximadamente 1,1 milhão de hectares cultivados, os trabalhos já atingem cerca de 15% da área.

No município de Rio Verde, principal polo agrícola da cooperativa, a colheita alcança aproximadamente 10% dos 400 mil hectares plantados.

Segundo técnicos da cooperativa, mesmo após cerca de vinte dias de clima seco, os grãos continuam apresentando umidade entre 22% e 24%, muito acima do padrão de aproximadamente 14% exigido para armazenamento nas unidades de recebimento.

Essa condição tem reduzido o ritmo das máquinas no campo, já que a colheita antecipada aumenta os custos com secagem e pode gerar descontos na comercialização do produto.

Produtividade inicial surpreende em Rio Verde

Embora o avanço da colheita ainda seja limitado, os primeiros resultados de produtividade em Goiás mostram desempenho positivo em algumas regiões.

Em Rio Verde, as lavouras vêm apresentando rendimento entre 7.200 e 7.800 quilos por hectare, desempenho considerado bastante satisfatório para o início da colheita.

Na média da área atendida pela Comigo, entretanto, a produtividade é mais moderada, variando entre 5.400 e 6.000 quilos por hectare, refletindo diferenças climáticas e de desenvolvimento das lavouras entre as regiões produtoras.

Goiás deve colher menos milho em 2025/26

Apesar do aumento da área cultivada, a produção total de milho safrinha em Goiás deverá ser menor nesta temporada.

Segundo levantamento de Safras & Mercado, a safra estadual está estimada em 11,986 milhões de toneladas, abaixo das 16,058 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.

A área plantada deverá crescer cerca de 1,2%, passando de 2,392 milhões para 2,421 milhões de hectares.

Por outro lado, a produtividade média deve recuar para 4.950 quilos por hectare, frente aos 6.712 quilos por hectare registrados na safra passada, refletindo os impactos das condições climáticas enfrentadas durante o desenvolvimento das lavouras.

Mercado acompanha ritmo da colheita

O avanço da colheita do milho safrinha nas principais regiões produtoras será determinante para a oferta do cereal nas próximas semanas.

Além do comportamento do clima, o mercado acompanha atentamente a evolução da umidade dos grãos, fator que influencia diretamente o ritmo da colheita, os custos de secagem, a capacidade de armazenagem e a logística de escoamento da produção.

Com a expectativa de aceleração dos trabalhos na segunda quinzena do mês, produtores, cooperativas e compradores aguardam uma entrada mais consistente do milho no mercado, movimento que poderá impactar a formação dos preços e a dinâmica de comercialização da safra 2025/26.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --