Milho e Sorgo

Colheita ainda exige cautela: riscos climáticos podem comprometer a safra até o último grão

Especialista alerta que fase final da produção agrícola concentra maior exposição financeira e riscos climáticos no Rio Grande do Sul


Publicado em: 24/03/2026 às 16:00hs

Colheita ainda exige cautela: riscos climáticos podem comprometer a safra até o último grão
Foto: CNA
Colheita marca fase decisiva, mas ainda vulnerável

O mês de março marca o período de colheita de culturas como soja e milho no Rio Grande do Sul, simbolizando para muitos produtores o encerramento de um ciclo que envolve meses de planejamento, investimento e trabalho no campo. No entanto, especialistas alertam que, mesmo nessa etapa final, a safra ainda está sujeita a riscos relevantes.

De acordo com Daniel Tréz, coordenador de Seguros Rurais da Cabergs Seguros, é justamente entre a maturação das lavouras e a colheita efetiva que ocorre uma parcela significativa dos sinistros agrícolas registrados no estado.

Segundo ele, esse intervalo é crítico porque concentra o momento em que todo o investimento realizado começa a ser convertido em receita, tornando qualquer evento climático potencialmente prejudicial.

Período concentra maior exposição financeira do produtor

A fase de colheita representa um dos momentos de maior vulnerabilidade econômica no ciclo agrícola. Isso porque, nesse estágio, praticamente todos os custos já foram assumidos — incluindo sementes, fertilizantes, defensivos, combustível, maquinário e financiamentos — enquanto a produção ainda não foi comercializada.

Conforme explica Tréz, um evento climático nesse momento pode comprometer diretamente a produção, justamente quando o produtor ainda não conseguiu transformar o investimento em receita. Esse cenário torna a colheita um período de alta exposição financeira.

Impactos vão além da perda de produção

Os prejuízos nessa fase podem ocorrer de diferentes formas. Temporais, por exemplo, podem causar o tombamento das plantas, provocar a queda de grãos no solo ou dificultar o acesso das máquinas devido ao excesso de umidade.

Além disso, a umidade elevada pode favorecer o surgimento de fungos, causar danos físicos aos grãos e reduzir o peso da produção, impactando diretamente o valor de comercialização.

Clima imprevisível aumenta a preocupação no campo

A instabilidade climática no Rio Grande do Sul tem intensificado a preocupação dos produtores. Nos últimos anos, o estado enfrentou uma sequência de eventos extremos, como estiagens severas, chuvas intensas e enchentes históricas.

Esse cenário reforça a necessidade de estratégias de gestão de risco mais robustas. Para Tréz, cresce entre os produtores a percepção de que confiar apenas na produtividade pode ser insuficiente diante das variações climáticas.

Seguro agrícola ganha destaque na gestão de riscos

Diante desse contexto, o seguro agrícola tem se consolidado como uma importante ferramenta de proteção financeira. Mais do que resguardar a lavoura, ele atua na preservação do resultado econômico da atividade rural.

Além de minimizar perdas, o seguro contribui para que o produtor mantenha sua capacidade de honrar compromissos e planejar o próximo ciclo, mesmo após enfrentar adversidades climáticas.

Proteção do resultado e continuidade da atividade

Especialistas destacam que o seguro deve ser encarado como parte da estratégia de gestão da propriedade rural. Quando eventos climáticos atingem a fase final da safra, os impactos vão além da produção, afetando o custeio já realizado, a renda esperada e a continuidade da atividade.

Nesse cenário, o seguro deixa de ser visto como um custo adicional e passa a ser entendido como uma proteção essencial do resultado de meses de trabalho e investimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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