Milho e Sorgo

Brasil supera exportações de milho de janeiro de 2025 uma semana antes do fim do mês

País já embarcou 3,7 milhões de toneladas em janeiro de 2026 e receita cresce 45%; analistas projetam novo recorde e alertam para disputa de mercado global


Publicado em: 26/01/2026 às 19:20hs

Brasil supera exportações de milho de janeiro de 2025 uma semana antes do fim do mês
Foto: APPA - Paranaguá
Exportações de milho avançam e superam desempenho de 2025

O Brasil iniciou 2026 com ritmo acelerado nas exportações de milho. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, até o terceiro levantamento do mês, o país já embarcou 3.744.602,3 toneladas de milho não moído (exceto milho doce).

O volume já supera em 4,1% as 3.594.034,4 toneladas exportadas durante todo o mês de janeiro de 2025, faltando ainda uma semana para o fechamento do período.

Desempenho diário registra crescimento expressivo

A média diária de exportações nos 16 primeiros dias úteis de janeiro foi de 234.037,6 toneladas, um avanço de 43,3% em relação à média registrada no mesmo período do ano passado, de 163.365,2 toneladas por dia útil.

O resultado confirma o aquecimento da demanda internacional e o ganho de competitividade do milho brasileiro no mercado externo.

Mercado supera expectativas e deve encerrar safra com novo recorde

Para o analista Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, o desempenho das exportações nesta temporada ficou acima do esperado pelo mercado.

“O mercado projetava algo em torno de 36 milhões de toneladas, mas devemos encerrar com 41 a 42 milhões. As exportações correram bem e ajudaram a sustentar os preços. Isso também contribuiu para reduzir os estoques, que poderiam ter ficado mais altos”, avaliou Rafael.

O analista destaca que a fluidez das exportações foi determinante para equilibrar a oferta interna e evitar maiores pressões sobre os preços domésticos.

Próxima temporada exigirá novo esforço de mercado

Com o início da nova temporada previsto para fevereiro, o desafio do setor exportador será ainda maior. Segundo Rafael, o Brasil precisará buscar novos compradores para absorver o excedente da produção nacional.

“Teremos que trabalhar para exportar entre 45 e 50 milhões de toneladas. Mas será uma disputa intensa, pois os Estados Unidos ainda contam com estoques elevados. O Brasil precisa manter o ritmo forte para equilibrar o mercado e reduzir os volumes armazenados internamente”, explicou o analista.

Conflitos no Irã geram incertezas para o comércio exterior

Um dos pontos de atenção apontados por especialistas é a instabilidade no Irã, que foi o maior importador do milho brasileiro em 2025, adquirindo quase 10 milhões de toneladas.

“O cenário político e os conflitos na região podem reduzir a demanda iraniana. Podemos perder até 3 milhões de toneladas em comparação ao ano passado. O desafio será encontrar novos destinos para manter o volume entre 45 e 50 milhões de toneladas exportadas”, observou Rafael.

Receita cresce 45% e confirma bom momento do agronegócio

O bom desempenho em volume também se reflete na receita obtida com as exportações.

Até o momento, o Brasil arrecadou US$ 835,9 milhões, superando o total de US$ 789,8 milhões registrado em todo janeiro de 2025.

A média diária de faturamento aumentou 45,5%, passando de US$ 35,9 milhões para US$ 52,2 milhões por dia útil, segundo dados oficiais da Secex.

Perspectivas: foco em competitividade e novos mercados

Com estoques ajustados e previsão de safra recorde, o Brasil deve manter-se entre os principais exportadores globais de milho em 2026.

Entretanto, analistas reforçam que o país precisará diversificar destinos, fortalecer acordos comerciais e monitorar o cenário geopolítico internacional para sustentar o ritmo de crescimento das exportações.

Fonte: Portal do Agronegócio

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