Publicado em: 30/03/2026 às 17:00hs
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã têm provocado alta nos preços do petróleo, elevando os custos logísticos no Brasil. Esse cenário pode limitar o ritmo das exportações brasileiras de milho em 2026, segundo análise do Rabobank.
O aumento das cotações do petróleo tem impacto direto sobre o preço do diesel, principal componente do transporte rodoviário no Brasil. Com isso, os custos de frete interno aumentam, afetando a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.
Além disso, as longas distâncias entre as regiões produtoras e os portos elevam ainda mais os custos logísticos, o que pode reduzir o volume exportado ao longo do próximo ano.
Diante desse cenário, o Rabobank projeta que os embarques brasileiros de milho devem alcançar 41 milhões de toneladas em 2026.
O relatório destaca que, em 2025, o Irã foi responsável por cerca de 20% das exportações brasileiras de milho.
Caso o conflito geopolítico se prolongue até o segundo semestre, uma eventual redução nas compras iranianas pode impactar diretamente a demanda externa. Nesse caso, exportadores brasileiros deverão buscar novos mercados para compensar possíveis perdas.
Com o encarecimento do transporte, o mercado doméstico tende a se tornar relativamente mais competitivo em relação às exportações, por ser menos sensível aos custos logísticos.
Nesse contexto, o consumo de milho para produção de etanol deve atingir um novo recorde, com estimativa de 27 milhões de toneladas — volume 4 milhões superior ao registrado na safra 2024/25.
Apesar de o período atual não ser o mais relevante para exportações em termos sazonais, o aumento dos custos de transporte pode impactar diretamente os preços pagos ao produtor.
Tradings e cooperativas tendem a repassar parte desses custos, reduzindo o valor ofertado pelo milho no mercado interno.
O Rabobank também destacou o comportamento dos preços do milho em março, que registraram alta de 4% em relação a fevereiro.
Esse movimento foi impulsionado por três fatores principais:
Para a temporada 2025/26, a projeção é de produção nacional de 137 milhões de toneladas, sendo:
O volume total representa queda de cerca de 5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.
Mesmo com a expectativa de leve aumento da área plantada, a produtividade deve recuar, após os resultados elevados registrados na última safra.
A tendência de queda é mais evidente nas principais regiões produtoras de milho safrinha, o que pode limitar a oferta ao longo da temporada.
Segundo o Rabobank, a formação de preços do milho dependerá de uma série de variáveis ao longo dos próximos meses, com destaque para:
Decisão dos produtores dos Estados Unidos sobre área plantada
Comportamento dos custos logísticos, tanto no mercado interno quanto no transporte marítimo
O conjunto de fatores — que inclui tensões geopolíticas, custos elevados e incertezas produtivas — indica um ambiente desafiador para o milho brasileiro em 2026.
A dinâmica entre oferta, demanda e logística será determinante para o desempenho das exportações e para a formação dos preços ao longo da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias