Uva branca sem semente sobe 4,4% no Vale do São Francisco, mas calor afeta qualidade
Exportações mais aquecidas e oferta controlada levam preço da fruta embalada a R$ 11,60/kg; BRS Vitória recua 2,3% com dificuldades de escoamento.
Publicado em: 19/10/2026 às 11:45hs
Os preços da uva branca sem semente subiram no Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia, na semana de 13 a 16 de outubro. Segundo o Hortifrúti/Cepea, a oferta mais controlada, o avanço das exportações e a boa demanda doméstica sustentaram a valorização, apesar dos problemas de qualidade provocados pelo calor intenso.
A uva branca sem semente embalada, categoria 1, foi negociada, em média, a R$ 11,60/kg, alta de 4,4% em relação à semana anterior. Na roça, a cotação permaneceu estável em R$ 5,50/kg.
Exportações e consumo interno sustentam preços
O ritmo dos embarques ganhou força em comparação às primeiras semanas de outubro, contribuindo para reduzir a disponibilidade de uvas brancas sem semente no mercado regional.
Com a procura interna também favorável, esse controle da oferta deu sustentação aos preços da fruta embalada. A valorização, porém, não se estendeu às negociações na roça, que mantiveram a referência da semana anterior.
Temperaturas próximas de 40°C prejudicam aparência das uvas
O calor segue como um desafio para os produtores. Conforme dados do MSN Clima citados no levantamento, as temperaturas máximas ficaram próximas de 40°C durante a semana analisada.
Produtores consultados pelo Hortifrúti/Cepea relataram prejuízos principalmente à aparência das uvas brancas sem semente. As lavouras com menor massa foliar estão mais vulneráveis, pois os cachos ficam mais expostos à radiação solar, favorecendo a ocorrência de bagas amareladas.
Assim, embora o mercado apresente condições favoráveis à comercialização, a qualidade limita o aproveitamento das oportunidades de venda.
BRS Vitória recua com restrições às vendas externas
O comportamento da BRS Vitória foi diferente. A variedade embalada encerrou a semana com preço médio de R$ 9,80/kg, queda de 2,3% frente ao período anterior.
Segundo os produtores ouvidos pelo Hortifrúti/Cepea, a presença de lotes com resíduos continua dificultando as negociações com compradores internacionais. Essa restrição contribui para o acúmulo de estoques no mercado doméstico e pressiona as cotações.
O cenário combina, portanto, dificuldades para escoar parte da produção e menor disponibilidade de frutas aptas à comercialização.
Manejo da irrigação e embarques estão no radar
Para as próximas semanas, o levantamento aponta que o aumento da frequência de irrigação pode favorecer o desenvolvimento das uvas brancas sem semente e contribuir para a recuperação da qualidade.
No caso das uvas negras, a expectativa é de melhora gradual no escoamento, apoiada por exportações mais aquecidas do que as registradas no início de outubro. A evolução da qualidade e o ritmo dos embarques serão fatores importantes para o comportamento do mercado regional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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