Publicado em: 26/03/2026 às 15:30hs
A produção de tomate no Brasil vem passando por uma transformação significativa nos últimos anos. Entre custos elevados, pressão de doenças e exigências crescentes de produtividade, os produtores têm recorrido à genética avançada, novas estratégias de manejo e soluções biológicas para manter a viabilidade da cultura.
Segundo a agrônoma Kelly Batista, diretora de operações do Grupo Batista, que atua em Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, com cerca de 150 hectares cultivados, “quem está na atividade precisa tomar decisões muito precisas, principalmente na escolha de variedades, manejo nutricional e controle de doenças”.
Um dos avanços mais relevantes da tomaticultura brasileira, segundo Kelly, está na incorporação de tecnologias diretamente nas lavouras. Entre elas estão:
A escolha da semente se tornou estratégica. O tomate híbrido Turim, da TSV Sementes, é citado como exemplo, combinando alta produtividade com resistência a doenças como begomovírus e geminivírus. “O Turim F1 trouxe resistência sem abrir mão da produtividade. Antes, era preciso escolher entre produção ou resistência”, destaca Kelly.
Essas tecnologias permitem aos produtores manter a competitividade e garantir que a tomaticultura siga viável frente aos investimentos exigidos pela atividade.
Além dos avanços tecnológicos, a presença feminina tem se expandido em todos os elos da cadeia produtiva do tomate, da produção à comercialização. Kelly Batista observa que “as mulheres estão presentes na colheita, embalagem, venda, reposição e funções técnicas, tornando-se indispensáveis para o setor”.
Ela destaca que diferentes habilidades se complementam no trabalho agrícola. “A atenção aos detalhes, comum no trabalho feminino — no amarrio, desbrote e cuidado com a planta — soma-se à força masculina, fortalecendo o trabalho no campo”, explica.
Apesar do progresso, Kelly ressalta que ainda existem desafios culturais para ampliar a participação feminina em funções técnicas e de liderança. Um dos pontos centrais é a divisão da dupla jornada familiar.
“Quando uma técnica precisa viajar para visitar lavouras, participar de decisões ou estudar, é necessário que as responsabilidades domésticas sejam compartilhadas. É uma discussão delicada, mas essencial para o futuro do setor”, afirma a agrônoma.
Segundo Kelly, o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal permitirá que mais mulheres ocupem posições estratégicas no agronegócio, garantindo inovação e sustentabilidade na produção de tomates no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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