Publicado em: 19/03/2026 às 12:30hs
O tomate de mesa, uma das hortaliças mais consumidas no Brasil, enfrenta um cenário desafiador nas principais regiões produtoras do interior de São Paulo. Produtores do cinturão hortícola que abastece mercados como Campinas e a capital paulista relatam impactos crescentes das mudanças climáticas sobre a produtividade e a qualidade dos frutos.
Ondas de calor, irregularidade nas chuvas e aumento da incidência de pragas têm pressionado a produção, elevando os riscos no campo e influenciando diretamente os preços no mercado.
O tomate destinado ao consumo in natura é altamente sensível às variações ambientais. Mudanças bruscas de temperatura, períodos de seca prolongada e excesso de radiação solar comprometem o desenvolvimento das plantas e a formação dos frutos.
Na prática, isso resulta em perdas relevantes na produção. Frutos com rachaduras, queimaduras solares ou maturação irregular acabam sendo descartados ou desvalorizados, reduzindo a rentabilidade do produtor.
Os impactos climáticos chegam rapidamente ao mercado. Nas centrais de abastecimento, como a Ceasa Campinas, a irregularidade na oferta e na qualidade do tomate tem provocado forte volatilidade nos preços.
Dados do setor hortifrutícola indicam que o produto já registrou variações superiores a 100% ao longo do ano, evidenciando a sensibilidade da cultura às condições climáticas.
Além do clima, a disponibilidade hídrica tornou-se uma preocupação central para os produtores. Mesmo com a adoção de sistemas como a irrigação por gotejamento, a disputa pelo uso da água tem se intensificado.
Segundo o engenheiro agrônomo Márcio Boldrin, da Biogênese, o cenário exige planejamento cada vez mais rigoroso.
“A agricultura hoje disputa recursos hídricos com os centros urbanos, o que torna essencial o uso eficiente da água nas lavouras”, destaca.
Diante desse cenário, produtores têm adotado soluções tecnológicas voltadas ao manejo hídrico e ao fortalecimento fisiológico das plantas.
Essas tecnologias, aplicadas diretamente na água de irrigação, ajudam a melhorar o aproveitamento hídrico, estimular o desenvolvimento radicular e aumentar a eficiência na absorção de nutrientes, além de reduzir os efeitos do estresse causado por calor e seca.
De acordo com Loremberg Moraes, diretor da Hydroplan-EB, o tomate exige atenção constante. “Pequenas variações climáticas já impactam diretamente a produtividade e a qualidade, o que demanda maior eficiência no manejo”, afirma.
Entre as inovações utilizadas no campo estão insumos aplicados via irrigação, como géis que aumentam a retenção de água no solo e auxiliam no desenvolvimento das plantas.
Testes realizados em áreas comerciais indicam ganhos de produtividade entre 8% e 10% nas lavouras que adotaram esse tipo de tecnologia, em comparação ao manejo tradicional.
Além disso, produtores relatam plantas mais vigorosas, com menor murchamento em períodos de calor intenso e maior potencial produtivo ao longo do ciclo.
Outro benefício observado está na melhor utilização de água e nutrientes. Com maior retenção hídrica no solo, há redução da lixiviação e melhor aproveitamento da adubação.
Esse modelo contribui não apenas para a produtividade, mas também para a sustentabilidade da atividade agrícola, reduzindo desperdícios e otimizando recursos naturais.
Com o avanço das mudanças climáticas e a crescente pressão sobre a produção de alimentos frescos, especialistas apontam que o uso de tecnologias voltadas à eficiência hídrica deve se intensificar nos próximos anos.
Para culturas sensíveis como o tomate de mesa, ferramentas que auxiliem na estabilidade da produção e na redução de riscos tendem a ganhar protagonismo no campo.
Resumo: A produção de tomate no interior paulista enfrenta desafios crescentes com o clima e a escassez de água, levando produtores a investir em tecnologias de irrigação e manejo para reduzir perdas, aumentar a produtividade e garantir maior estabilidade ao mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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