Tomate industrial: projeção de produção no Brasil cai 8% após chuvas em Goiás e São Paulo
WPTC estima volume de 1,35 milhão de toneladas após perdas de produtividade; Kraft Heinz prevê crescimento de 15% na produção de seus parceiros, com área praticamente estável
Publicado em: 02/10/2026 às 10:30hs
A projeção para a produção brasileira de tomate destinado ao processamento industrial foi reduzida em cerca de 8% após os impactos das chuvas em Goiás e São Paulo. Segundo o World Processing Tomato Council (WPTC), a estimativa passou de 1,467 milhão de toneladas, em junho, para aproximadamente 1,35 milhão de toneladas no fim de julho.
A revisão representa uma redução de 117 mil toneladas no volume esperado. Em atualização divulgada em 14 de agosto, a entidade manteve o cenário para o Brasil.
Caso a previsão se confirme, o volume destinado ao processamento ficará aproximadamente 6% abaixo das 1,437 milhão de toneladas registradas em 2025. Na comparação com as 1,65 milhão de toneladas de 2024, a queda será de cerca de 18%.
Chuvas prejudicam lavouras e reduzem produtividade esperada
As condições climáticas afetaram diferentes etapas da safra. Em março, as precipitações atrasaram o plantio. Já em maio e junho, chuvas acima do normal atingiram áreas produtoras de Goiás e São Paulo.
No início de julho, o WPTC relatou danos severos em algumas localidades, maior incidência de doenças e redução das expectativas de produtividade. Esses problemas antecederam o corte na projeção brasileira.
O cenário também evidencia os riscos climáticos para a cadeia de tomate industrial. No balanço global de junho, a entidade destacou secas, inundações e ondas de calor entre os fatores que podem comprometer o rendimento das lavouras, a qualidade da produção e o planejamento do setor.
Antecipação das chuvas preocupa na colheita em Goiás
Na reta final do ciclo, a chegada mais cedo das chuvas acrescenta dificuldades à retirada dos frutos do campo. Em visita do Notícias Agrícolas a uma lavoura na região de Itaberaí, em Goiás, o produtor Fábio Alves apontou o clima como sua principal preocupação.
Segundo ele, a posição dos frutos, rente ao solo, aumenta a exposição da produção às precipitações e pode dificultar a colheita.
A preocupação ganha relevância pelo elevado grau de mecanização da cultura. A chuva pode limitar o trabalho das máquinas justamente no período em que o tomate precisa ser recolhido e encaminhado ao processamento.
Kraft Heinz prevê colher 15% mais com área estável
Apesar da redução na estimativa nacional, a Kraft Heinz projeta crescimento de 15% na produção de tomate de sua base de produtores parceiros nesta temporada. A área deve permanecer praticamente estável, em torno de 2.500 hectares.
Segundo a companhia, toda a produção de tomate vinculada à sua operação no Brasil está concentrada em Goiás e é conduzida por produtores parceiros.
Lucas Pasqual, diretor de Agricultura da Kraft Heinz no Brasil, atribui a expansão prevista principalmente ao aumento da eficiência. A expectativa é obter mais tomate por hectare, sem ampliar proporcionalmente a área cultivada.
A empresa associa esse desempenho à evolução tecnológica, à escolha dos materiais utilizados nas lavouras, ao desenvolvimento dos produtores e ao acompanhamento técnico durante o ciclo. O modelo inclui fornecimento de insumos e assistência de engenheiros agrônomos desde o preparo do solo até a colheita.
Resultados distintos refletem diferenças entre as áreas produtoras
As projeções do WPTC e da Kraft Heinz abrangem universos diferentes. Enquanto a entidade estima o volume brasileiro destinado ao processamento industrial, a companhia apresenta a expectativa para sua própria base de fornecedores.
Assim, o crescimento previsto pela empresa pode ocorrer mesmo em uma safra de retração nacional. O contraste indica que os impactos climáticos e os resultados de produtividade variam entre as áreas e os sistemas de produção.
Para o conjunto do país, a estimativa apresentada pelo WPTC permanece em aproximadamente 1,35 milhão de toneladas. Na operação da Kraft Heinz, os ganhos de eficiência sustentam a previsão de expansão, apesar das dificuldades enfrentadas pela cadeia nesta temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
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