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StoneX prevê superávit global de cacau em dois anos; Brasil sente impacto de cenário econômico e decisões do Banco Central

Relatório aponta excedentes nas safras 2025/26 e 2026/27 no mercado mundial de cacau, em meio a condições macroeconômicas influenciadas pela política monetária do Banco Central do Brasil.


Publicado em: 30/01/2026 às 10:40hs

StoneX prevê superávit global de cacau em dois anos; Brasil sente impacto de cenário econômico e decisões do Banco Central
Mercado global de cacau caminha para novo ciclo de superávit

A consultoria financeira StoneX divulgou seu mais recente Relatório de Saldo Global de Cacau, indicando que o mercado mundial deve registrar superávit nas safras 2025/26 e 2026/27. A previsão aponta para um excedente de 287 mil toneladas no primeiro ciclo e 267 mil toneladas na safra seguinte, sinalizando um período de alívio gradual nos fundamentos de oferta e demanda.

De acordo com a consultoria, os ajustes recentes refletem melhora nas condições produtivas na Costa do Marfim, uma leve retração em Gana e redução moderada da demanda global. Apesar disso, a StoneX avalia que o balanço geral permanece positivo, com estoques globais em processo de recomposição após a forte quebra registrada em 2023/24.

Gana apresenta recuperação e reduz riscos na produção

Em Gana, a safra 2025/26 segue em ritmo otimista. Até meados de novembro, cerca de 220 mil toneladas de cacau já haviam sido entregues aos portos, superando expectativas iniciais. As condições climáticas favoráveis e a valorização do preço farmgate, que ultrapassa US$ 5.000 por tonelada, contribuem para um ambiente positivo e reduzem o contrabando para países vizinhos.

Mesmo com desafios estruturais — como doenças nas lavouras e mineração ilegal —, o país deve apresentar avanço produtivo também em 2026/27, sustentado por incentivos e pela rentabilidade elevada do cultivo.

Equador mantém expansão e consolida posição fora da África

O Equador segue como um dos principais polos de crescimento fora do continente africano. A produção nacional tem sido impulsionada por investimentos em ampliação de área, uso intensivo de fertilizantes e introdução de variedades híbridas mais resistentes a pragas e doenças.

A StoneX projeta que o país ultrapasse 650 mil toneladas na safra 2026/27, com tendência de expansão contínua na década, resultado da combinação entre clima favorável e políticas de estímulo ao setor agrícola.

Indonésia e Peru registram evolução gradual

Na Indonésia, o cenário é de recuperação moderada, com produção estimada em torno de 230 mil toneladas nas próximas duas safras. O avanço é sustentado pelos altos preços internacionais, que ampliam a capacidade de investimento dos produtores, apesar de limitações estruturais e riscos climáticos relacionados ao El Niño.

Já o Peru segue trajetória semelhante à do Equador, beneficiado por chuvas regulares e boas práticas de manejo agrícola. A produção tem crescido de forma constante, sustentada por investimentos em tecnologia e fertilização.

Demanda global começa a dar sinais de estabilidade

Os números de moagem — principal indicador de consumo de cacau — vêm mostrando queda nos últimos trimestres, mas com tendência de estabilização. Entre outubro e dezembro de 2025, o volume processado caiu 7,7% em relação ao mesmo período de 2024.

Apesar da retração, o resultado foi superior ao trimestre anterior, o que indica possível recuperação da demanda até o fim de 2026. A StoneX projeta moagem global de 4,663 milhões de toneladas em 2025/26 e 4,774 milhões em 2026/27, um aumento de 2,4% entre as safras.

Banco Central mantém juros e reforça cautela na política monetária

O Banco Central do Brasil (BCB) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião de janeiro de 2026, o maior patamar em quase duas décadas. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou, contudo, que poderá iniciar um ciclo de cortes graduais a partir de março, caso a inflação continue em trajetória de desaceleração.

Segundo o Relatório Focus, divulgado pelo próprio Banco Central, o mercado financeiro projeta inflação de 4,02% para 2026, dentro do intervalo de tolerância da meta. Esse cenário abre espaço para redução do custo de crédito e estímulo ao investimento produtivo, o que pode beneficiar cadeias do agronegócio, incluindo o setor cacaueiro.

Estoques globais caminham para normalização até 2027

Com os superávits projetados pela StoneX, os estoques globais devem se recompor gradualmente, atingindo patamares próximos a 40% da demanda mundial até o fim da safra 2026/27. Essa tendência aponta para um mercado mais equilibrado, com preços menos voláteis e maior previsibilidade para produtores e exportadores.

“O mercado global de cacau passa por um processo de reorganização e caminha para uma nova normalidade de preços, marcada pelo equilíbrio entre atratividade e sustentabilidade da demanda”, destaca Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Fonte: Portal do Agronegócio

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