Publicado em: 10/02/2026 às 11:48hs
A safra 2025/2026 de alho em Santa Catarina apresenta resultados expressivos, impulsionada pela ampliação da área cultivada e pelo aumento da produtividade. Segundo dados do Infoagro da Epagri/Cepa, o estado plantou 747 hectares, um crescimento de 13% em relação ao ciclo anterior.
Com esse avanço, a produção deve atingir 8,6 mil toneladas, volume 19% superior ao da safra passada. A produtividade média também evoluiu, alcançando 11,5 toneladas por hectare, o que representa um ganho de 5% na comparação anual.
Apesar do bom desempenho no campo, o início de 2026 foi marcado por forte pressão nos preços. A comercialização do alho nobre tipo 4 e 5 começou em janeiro com o produto sendo pago ao produtor a R$ 88,75 por caixa de 10 kg — uma redução de 46% em relação a janeiro de 2025.
No mercado atacadista, o recuo também é expressivo: o alho é vendido a R$ 142,50 por caixa, valor 5% menor que o registrado em dezembro de 2025 e 32% abaixo do observado no mesmo mês do ano anterior.
De acordo com Lillian Bastian, analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, a queda nas cotações está diretamente relacionada ao aumento da oferta interna. Além da alta produção catarinense, ainda há estoques remanescentes de alho do Cerrado e grande volume de importações.
Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o Brasil importou aproximadamente 35 mil toneladas do produto, majoritariamente de origem argentina.
“Esse cenário de ampla disponibilidade, que reúne o alho catarinense, o produto do Cerrado e o volume importado, intensifica a concorrência no mercado interno, reduzindo as oportunidades de comercialização e pressionando os preços para patamares mais baixos”, destaca Bastian.
Mesmo com o cenário de preços em queda, o crescimento da produção reforça a relevância do alho na diversificação agrícola de Santa Catarina. O aumento da área plantada e os ganhos de produtividade consolidam o estado como um importante polo produtor, ainda que a competitividade do mercado exija estratégias para equilibrar oferta e demanda ao longo do ciclo 2025/2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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