Publicado em: 12/02/2026 às 10:10hs
A produção brasileira de noz-pecã na safra 2026 deve registrar uma recuperação expressiva em relação aos últimos ciclos, podendo alcançar entre 6,5 mil e 7 mil toneladas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan). O avanço é impulsionado tanto pela alta carga de frutos observada nos pomares quanto pela entrada de novas áreas produtivas.
O resultado esperado supera o desempenho de 2025, considerado intermediário e afetado pelos impactos climáticos das enchentes de 2024. De acordo com o presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, a safra atual deve alcançar volumes próximos aos de 2023, quando o país colheu cerca de 7 mil toneladas.
“Há boas chances de superarmos esse número, principalmente porque novos pomares começam a produzir em ritmo consistente”, afirma Wallauer.
Mesmo com o aumento da oferta, o mercado deve manter preços firmes em 2026. A combinação entre demanda internacional crescente e abertura de novos mercados tende a equilibrar o cenário e sustentar as cotações, especialmente para lotes de melhor qualidade.
Segundo Wallauer, o contexto global favorece o Brasil:
“Nos últimos três anos, novas empresas e investidores passaram a enxergar o potencial exportador da noz-pecã brasileira. O preço internacional, baseado na referência norte-americana, está em um nível atraente, e países como Estados Unidos e México enfrentam estoques reduzidos, o que mantém o mercado aquecido.”
Com essa dinâmica, a expectativa é de menor volatilidade interna e proteção para os produtores, mesmo em uma safra cheia.
O coordenador técnico do IBPecan, Jaceguáy Barros, alerta que a atual temporada tem sido marcada por condições climáticas atípicas, com chuvas acima da média e temperaturas elevadas desde a primavera de 2025.
Em dezembro, o acumulado médio de precipitação chegou a 240 milímetros, enquanto janeiro registrou 236 milímetros, patamar semelhante ao mês anterior. Essa combinação de alta umidade e calor tem favorecido o surgimento de doenças fúngicas, como a antracnose, além de causar queda prematura de frutos em algumas áreas.
“O excesso de chuvas e o calor intenso aumentaram a pressão de doenças. Em diversos pomares já identificamos antracnose e perda de frutos”, explica Barros.
Além das questões sanitárias, o setor enfrenta dificuldades operacionais para o manejo fitossanitário. O crescimento do porte das árvores exige equipamentos mais potentes para pulverização, mas ainda há limitações técnicas e logísticas em diversas propriedades.
“A estrutura de pulverização disponível muitas vezes não alcança copas mais altas, o que compromete a eficácia do controle de pragas e doenças”, observa o coordenador técnico.
Com a previsão de nova frente fria nos próximos dias, as chuvas devem continuar acima da média em março e abril, ainda que de forma irregular. Barros destaca que a irrigação precisa ser ajustada conforme o volume de chuvas: quando há precipitação entre 25 e 30 milímetros, a irrigação pode ser suspensa por até dois dias, mas deve ser retomada rapidamente para garantir enchimento adequado dos frutos.
Outro ponto de preocupação é a colheita, etapa fundamental para preservar a qualidade da noz-pecã. Segundo Barros, a rapidez da operação é essencial para evitar perdas de frutos no solo.
“É importante colher de forma ágil e coordenada, garantindo que os frutos não fiquem expostos à umidade, o que demanda disponibilidade de mão de obra e maquinário adequado”, afirma.
Apesar dos desafios climáticos e fitossanitários, o desempenho produtivo dos pomares tem sido considerado positivo, com boa carga de frutos e entrada de novos cultivos em produção.
“A ampliação da área colhida e o vigor das plantas indicam um ano de expansão para a pecanicultura brasileira, consolidando a recuperação após o ciclo difícil de 2024”, conclui Barros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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