Publicado em: 18/03/2026 às 11:25hs
Produtores e instituições do agronegócio em Minas Gerais iniciaram uma mobilização para conter o avanço do Greening, considerada a doença mais destrutiva da citricultura mundial. A iniciativa envolve municípios das regiões do Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Noroeste do estado, com foco na criação de uma barreira sanitária para proteger os pomares de laranja.
A ação faz parte do Programa Cinturão Antigreening, que tem como objetivo prevenir a disseminação da doença e fortalecer a cadeia produtiva de citros na região.
A iniciativa conta com a articulação do Sebrae Minas e reúne diversas entidades, como o Sistema Faemg/Senar, associações regionais, sindicatos rurais e cooperativas.
O projeto já foi apresentado em Patos de Minas e terá lançamento oficial em Uberlândia no dia 23 de março, com a participação do poder público.
A proposta do programa é incentivar a mobilização dos municípios para a criação de legislações específicas voltadas à prevenção do Greening, além de fortalecer a cooperação entre instituições.
A iniciativa busca replicar modelos já adotados em cidades como Araxá e Sacramento, que aprovaram leis para monitoramento e controle da doença.
Essas normas incluem medidas como:
Segundo o consultor Daniel Amorim, o objetivo do cinturão sanitário é reduzir o risco de disseminação do Greening por meio do controle do inseto transmissor.
“O Cinturão Antigreening visa eliminar hospedeiros do psilídeo e manter vigilância contínua no campo, garantindo resposta rápida a qualquer suspeita e protegendo pomares, empregos e investimentos”, destaca.
Nos últimos anos, Minas Gerais tem registrado crescimento consistente na produção de laranja. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam aumento de 16% na produção entre 2019 e 2023.
Atualmente, o estado conta com cerca de 40 mil hectares plantados com citros, consolidando-se como uma importante região produtora.
Para Marcos Alves, a possível migração da produção de laranja de São Paulo para Minas Gerais representa uma oportunidade para o agronegócio local.
“O Sebrae atua como articulador junto ao poder público e à iniciativa privada para viabilizar essa expansão e fortalecer a cadeia produtiva no estado”, afirma.
O Greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), é causado pela bactéria Candidatus Liberibacter e transmitido pelo inseto Diaphorina citri.
A doença atinge o floema das plantas cítricas, comprometendo a produtividade e a qualidade dos frutos. Atualmente, não há cura, o que torna a prevenção a principal estratégia de controle.
O manejo inclui:
O Greening foi identificado pela primeira vez na China, em 1919, e posteriormente se espalhou para países da África e Oceania. No início do século 21, chegou ao continente americano, atingindo grandes produtores como Estados Unidos (Flórida) e Brasil.
No Brasil, a doença foi registrada inicialmente em 2004, no estado de São Paulo, e já se disseminou por mais de 100 municípios produtores.
Diante do avanço da doença e dos impactos observados em outras regiões, a mobilização em Minas Gerais busca agir de forma preventiva para proteger a citricultura.
A adoção de medidas coordenadas entre municípios, produtores e instituições é considerada fundamental para conter a disseminação do Greening e garantir a sustentabilidade da produção de laranja no estado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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