Publicado em: 05/03/2026 às 17:00hs
A produção de pitaya, também conhecida como “fruta-do-dragão”, vem se expandindo rapidamente em diversas regiões do Brasil e conquistando espaço na Amazônia. Apesar de sua origem americana, a fruta é amplamente cultivada no Sudeste Asiático, e agora se consolida como uma alternativa de renda para agricultores brasileiros.
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a produção nacional saltou de 1,5 mil toneladas em 2017 para mais de 6 mil toneladas em 2023, um crescimento superior a 300%.
Atualmente, as regiões Sudeste e Sul concentram cerca de 80% da produção nacional de pitaya. No entanto, estados amazônicos começam a se destacar, especialmente o Pará, que já responde por aproximadamente 10% da produção total.
No Amazonas, programas de incentivo vêm estimulando o cultivo da fruta. Em Manaus, a Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal distribuiu 30 mil mudas de pitaya a produtores locais, incluindo cooperativas como a Copasa-Agro.
O produtor Daniel Mendonça Sampaio, cooperado da Copasa-Agro, cultiva 2 mil pés de pitaya em meio hectare. Segundo ele, o clima quente e úmido da região favorece a colheita quase o ano inteiro, com pico de produção entre janeiro e maio.
Além da pitaya, Daniel cultiva pimenta, quiabo e pepino em uma área total de três hectares, com participação ativa de toda a família.
Parte da colheita é destinada à prefeitura de Manaus, que utiliza a fruta na merenda escolar, enquanto o restante é comercializado em feiras e mercados locais. O preço ao consumidor varia entre R$ 7 e R$ 15 por unidade, dependendo da época do ano e da oferta no mercado.
A pitaya pertence à família Cactaceae, sendo o fruto de um cacto trepador adaptado a climas quentes e secos. No Amazonas, as condições climáticas — alta temperatura, boa luminosidade e chuvas regulares — criam um ambiente propício para o cultivo.
Apesar do avanço, os produtores enfrentam desafios, como o cancro da pitaya, doença que pode causar perdas totais da lavoura. “Se não cuidar, é perda de 100%. Estamos controlando com produtos químicos e biológicos”, explica Daniel Sampaio.
Além do retorno financeiro, o sucesso da pitaya se deve às suas propriedades nutricionais. A fruta é rica em fibras, vitamina C, ferro, magnésio e antioxidantes, além de possuir baixo teor calórico, o que a torna uma aliada da alimentação saudável.
Com o aumento da demanda interna e externa, o Brasil exportou US$ 1,7 milhão em pitayas em 2022, segundo dados do Comex Stat compilados pela Abrafrutas — um salto expressivo frente aos US$ 149,9 mil registrados em 2020.
Os principais destinos das exportações brasileiras incluem União Europeia, Canadá e Reino Unido.
Mesmo com o avanço recente, a produção brasileira — cerca de 6 mil toneladas anuais — ainda é modesta quando comparada aos principais produtores globais: Vietnã (mais de 600 mil toneladas por ano), China (36 mil toneladas) e Taiwan (27 mil toneladas).
Com o aumento dos investimentos e a diversificação regional, especialistas acreditam que o Brasil tem potencial para se consolidar como novo polo de produção de pitaya na América Latina.
Fonte: Portal do Agronegócio
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