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Fruticultura e Horticultura

Produção de frutas no Nordeste cresce 19% e região concentra mais de 70% das exportações brasileiras

Produção nordestina avançou de 9,8 milhões para 11,6 milhões de toneladas entre 2020 e 2024, impulsionada pela agricultura irrigada, pela tecnologia e pela diversidade de cultivos


Publicado em: 23/09/2026 às 10:30hs

Produção de frutas no Nordeste cresce 19% e região concentra mais de 70% das exportações brasileiras

A produção de frutas no Nordeste cresceu 19% em quatro anos e consolidou a região como um dos principais polos da fruticultura brasileira. Dados consolidados pela Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) mostram que o volume produzido passou de 9,8 milhões de toneladas, em 2020, para 11,6 milhões de toneladas em 2024.

Além de ampliar a oferta, o Nordeste assumiu posição estratégica no comércio internacional. Atualmente, mais de 70% das frutas frescas exportadas pelo Brasil têm origem na região, que também responde por 90% dos embarques nacionais de uvas sem sementes. Os dados referentes a 2025 devem ser consolidados até o fim deste ano.

Nordeste lidera produção de melão e manga no Brasil

A participação nordestina é expressiva em diferentes segmentos da fruticultura. A região concentra aproximadamente 95% da produção brasileira de melão e 80% da manga.

O Nordeste também responde por cerca de 50% da produção nacional de mamão e coco, 35% da goiaba, 30% da uva e da banana e 25% da melancia.

A lista de frutas cultivadas comercialmente inclui ainda limão, maracujá, acerola, atemoia, pinha, caju, abacaxi, seriguela, umbu e graviola. Essa diversidade reduz a dependência de poucas culturas e amplia as possibilidades de atendimento aos mercados interno e externo.

Embora ocupe uma área menor que grandes cadeias de grãos, a fruticultura apresenta elevado peso socioeconômico. A atividade estimula a geração de empregos, movimenta diferentes serviços, diversifica a produção agropecuária e fortalece a pauta brasileira de exportações.

Irrigação impulsiona avanço da fruticultura nordestina

A expansão regional está diretamente relacionada ao desenvolvimento da agricultura irrigada. Projetos iniciados ainda na década de 1980 permitiram transformar áreas com limitações hídricas em polos capazes de produzir frutas com regularidade e qualidade comercial.

Com o avanço dos sistemas de irrigação e do manejo agronômico, produtores passaram a organizar a oferta em diferentes períodos do ano. Essa capacidade fortaleceu a competitividade do Nordeste, principalmente em mercados que exigem continuidade no abastecimento, padronização e cumprimento de calendários de entrega.

Para Antônio Neto, diretor comercial da distribuidora de insumos agrícolas Plantebem, a transformação da agricultura nordestina nas últimas quatro décadas demonstra a capacidade de adaptação do setor.

“A fruticultura precisa ser reconhecida pela importância que tem, não só para o Nordeste, para o Brasil, mas para todo o mundo”, afirmou o executivo durante participação no Podcast Ascenza.

Segundo Neto, áreas que anteriormente se destacavam pela produção de tomate industrial passaram por mudanças profundas. Atualmente, a região ocupa posição de referência na produção e na comercialização de frutas.

Tecnologia e conhecimento elevam a competitividade

A modernização das propriedades tornou-se determinante para sustentar o crescimento da fruticultura no Nordeste. Tecnologias aplicadas à irrigação, nutrição vegetal, proteção dos cultivos, monitoramento e pós-colheita ajudam a elevar a produtividade e a atender às exigências comerciais.

“Tecnologia e conhecimento são fundamentais. É preciso criar valores sobre os produtos para fortalecer toda a cadeia”, declarou Neto.

O executivo também destacou a importância da assistência próxima ao agricultor. Na avaliação dele, as soluções precisam considerar as particularidades de cada cultura, propriedade e ambiente de produção.

“Na fruticultura, o relacionamento com as pessoas é insubstituível”, acrescentou.

Esse acompanhamento ganha relevância porque a atividade exige decisões frequentes sobre irrigação, manejo fitossanitário, colheita, classificação, conservação e transporte. Falhas em qualquer uma dessas etapas podem comprometer a qualidade e reduzir o valor comercial das frutas.

Qualidade e sustentabilidade ganham espaço na cadeia

A expansão da produção ocorre paralelamente ao aumento das exigências relacionadas à segurança dos alimentos e à sustentabilidade. Compradores e consumidores passaram a observar com maior atenção a origem dos produtos, as práticas agrícolas e os impactos ambientais da atividade.

Entre os temas considerados estratégicos está a proteção dos agentes polinizadores. Neto informou que a Plantebem desenvolve ações de conservação das abelhas e recebeu reconhecimento da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) pelo trabalho nessa área.

“Não comercializamos produtos que afetam a polinização. Nossa responsabilidade é com o produtor, o meio ambiente e o consumidor final”, afirmou.

A polinização é essencial para diversas culturas frutíferas e influencia diretamente a formação, a qualidade e o rendimento dos frutos. Por isso, a integração entre produtividade, manejo responsável e preservação ambiental tende a ganhar importância nas decisões técnicas das propriedades.

Fruticultura fortalece economia e exportações

Com 11,6 milhões de toneladas produzidas em 2024 e participação superior a 70% nas exportações brasileiras de frutas frescas, o Nordeste amplia seu protagonismo no agronegócio nacional.

A combinação entre irrigação, condições climáticas, diversidade produtiva, conhecimento técnico e acesso ao mercado transformou a região em uma plataforma relevante para o abastecimento interno e para as vendas internacionais.

A continuidade desse crescimento dependerá da capacidade de ampliar a eficiência produtiva, preservar recursos naturais e agregar valor às frutas. Investimentos em pesquisa, infraestrutura, logística e assistência técnica serão decisivos para que o Nordeste mantenha sua competitividade e consolide sua presença no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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