Fruticultura e Horticultura

Preços do cacau caem 20% em dois dias devido à baixa liquidez

Mercado sofre forte queda após investidores deixarem o mercado em meio à baixa liquidez e à saída de fundos de hedge


Publicado em: 30/04/2024 às 11:15hs

Preços do cacau caem 20% em dois dias devido à baixa liquidez

Os preços do cacau no mercado internacional sofreram um tombo de cerca de 20% em apenas dois dias, resultado de uma combinação de baixa liquidez e reações técnicas intensificadas pela falta de grandes investidores, como os fundos de hedge. Este comportamento se dá em um momento em que, mesmo durante a significativa ascensão deste ano, a liquidez no mercado atingiu níveis baixos, deixando os preços vulneráveis a oscilações extremas.

Antes desta queda acentuada, os contratos futuros de cacau na bolsa ICE haviam quase triplicado de valor em 2023 devido a condições climáticas adversas e doenças que afetaram os principais produtores, como Costa do Marfim e Gana. Entretanto, essa alta exagerada deixou muitos participantes do mercado físico sem recursos e até mesmo afastou fundos de hedge, o que reduziu ainda mais a liquidez.

Com o mercado essencialmente sob o controle de fundos algorítmicos "day trading", programados para seguir padrões técnicos específicos, as variações de preços ficaram exageradas, tanto para cima quanto para baixo. "Há alguma notícia concreta que tenha impulsionado o mercado até aqui? Não", afirmou Jonathan Parkman, chefe de vendas agrícolas da Marex. Ele destacou que a falta de liquidez em Nova York, que atingiu um recorde histórico de baixa, torna as oscilações de preços desproporcionais.

Na segunda-feira, os contratos futuros de julho do cacau em Londres, negociados na ICE, despencaram quase 15%, sua maior perda diária registrada. Por volta das 9h50 (horário de Brasília), os futuros do cacau em Londres estavam sendo negociados a 7.392 libras por tonelada métrica, uma queda de cerca de 4%, enquanto os futuros de julho do cacau em Nova York caíam 3%, chegando a 8.665 dólares por tonelada, uma queda de quase 16% no mesmo período.

O mercado permanece atento ao desenvolvimento da safra na Costa do Marfim e em Gana, que juntos produzem quase 60% do cacau do mundo. As previsões para a safra ainda são incertas, e os investidores aguardam uma visão mais clara nos próximos meses para determinar se haverá uma recuperação na próxima temporada. Sem novos fatores fundamentais para impulsionar os preços, e com o suprimento global ainda restrito, o mercado permanece volátil.

Além disso, o banco ING destacou que a queda nos preços também foi influenciada pela recente decisão da bolsa ICE de aumentar as margens iniciais dos contratos futuros de cacau em 23% por contrato. Este aumento provavelmente reduz ainda mais a liquidez no mercado, dificultando o fluxo de investimentos. Segundo o banco, este foi o terceiro aumento nas margens no mês de abril, resultando em uma queda no número de contratos abertos, que diminuiu de cerca de 400.000 em novembro para aproximadamente 243.000 atualmente.

Fonte: Portal do Agronegócio

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