Publicado em: 11/03/2026 às 10:20hs
Os preços do tomate registraram forte valorização no início de março nos principais centros atacadistas do Brasil. A redução da oferta do produto, associada à desaceleração da safra em importantes regiões produtoras, pressionou as cotações e elevou significativamente os valores praticados no mercado.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que o tomate longa vida 3A apresentou aumentos expressivos em todos os mercados monitorados durante a primeira semana do mês.
Entre os dias 2 e 6 de março, os preços do tomate subiram de forma consistente nos principais entrepostos atacadistas do país.
Na capital paulista, a média de comercialização chegou a R$ 110 por caixa, representando alta de 55,2% em comparação com a última semana de fevereiro.
Em Belo Horizonte (MG), a valorização também foi significativa. O produto foi negociado a uma média de R$ 106,84 por caixa, o que corresponde a aumento de 45,7% no mesmo período.
Já no Rio de Janeiro (RJ), o tomate alcançou média de R$ 128,75 por caixa, registrando elevação de 26,2%.
O destaque entre os mercados analisados foi o atacado de Campinas (SP), onde a valorização foi ainda mais intensa.
No local, o preço médio chegou a R$ 140,71 por caixa, o que representa aumento de 85% em relação à semana anterior.
Esse movimento reforça o cenário de restrição de oferta observado nos entrepostos atacadistas no início de março.
Segundo a análise do Cepea, a alta das cotações está diretamente ligada à diminuição do volume de tomate disponível no mercado.
Essa redução ocorre principalmente devido à desaceleração da safra em Caçador (SC), uma das regiões importantes na produção do tomate no país. Após um período de pico de colheita, o ritmo das lavouras começou a diminuir, reduzindo o fluxo de produto enviado aos centros de distribuição.
Com menor disponibilidade do produto nos entrepostos, os preços passaram a reagir de forma rápida, refletindo o ajuste entre oferta e demanda.
O cenário macroeconômico também tem impacto indireto sobre o mercado de hortifrutigranjeiros. Dados recentes do Banco Central do Brasil indicam manutenção de uma política monetária restritiva, com juros elevados como estratégia para controlar a inflação.
Esse contexto influencia custos logísticos, financiamento da produção agrícola e a dinâmica de comercialização de alimentos no país.
A tendência para as próximas semanas dependerá principalmente da evolução da oferta nas regiões produtoras. Caso o volume disponível continue limitado, os preços podem permanecer sustentados nos mercados atacadistas.
Por outro lado, a retomada do ritmo de colheita em outras regiões produtoras pode contribuir para maior equilíbrio entre oferta e demanda.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias