Fruticultura e Horticultura

Pimenta-do-reino ganha força em Minas Gerais e se consolida como alternativa de renda no Vale do Mucuri e Jequitinhonha

Emater-MG incentiva expansão da cultura em regiões quentes do estado; produção já avança em municípios como Teófilo Otoni, Ataléia e Novo Oriente de Minas, com foco em diversificação e mercado externo


Publicado em: 22/06/2026 às 10:35hs

Pimenta-do-reino ganha força em Minas Gerais e se consolida como alternativa de renda no Vale do Mucuri e Jequitinhonha

A Emater-MG vem ampliando as ações de incentivo ao cultivo de pimenta-do-reino em regiões de clima quente de Minas Gerais, com destaque para os Vales do Mucuri e Jequitinhonha. A cultura tem se consolidado como uma alternativa viável de geração de renda para agricultores familiares, especialmente em municípios como Ataléia, Novo Oriente de Minas, Teófilo Otoni e Águas Formosas.

Cultura se adapta ao clima e reforça diversificação produtiva

Segundo o coordenador regional de Culturas da Emater-MG, Sandro Rodrigues da Silva, a pimenta-do-reino apresenta boa adaptação às condições climáticas da região, favorecendo sua expansão em pequenas propriedades.

O Espírito Santo permanece como principal produtor e exportador do país, respondendo por cerca de 60% da produção nacional. Em Minas Gerais, no entanto, o cultivo vem sendo adotado como atividade complementar, integrada a outras culturas e à pecuária, com foco na diversificação de renda.

“A cultura se adapta bem ao clima quente da região. Os agricultores que já implantaram têm apresentado bons resultados. Agora, o trabalho também envolve o avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), fundamental para reduzir perdas e viabilizar crédito e seguro rural”, explica Sandro.

O ZARC é desenvolvido pela Embrapa, com apoio de dados técnicos da Emater-MG e da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), sendo utilizado pelo Ministério da Agricultura como base para políticas de mitigação de risco climático.

Capacitação técnica fortalece cadeia produtiva

Com o objetivo de ampliar o conhecimento técnico e fortalecer a cadeia produtiva regional, a Unidade Regional da Emater-MG em Teófilo Otoni promoveu recentemente um simpósio e um Dia de Campo voltados à cultura da pimenta-do-reino.

Os eventos reuniram produtores de diversos municípios e contaram com palestras e atividades práticas conduzidas por especialistas da Emater-MG, da Emater-Pará e da empresa Tropoc, do Pará.

A programação abordou temas como implantação da lavoura, manejo, pós-colheita e comercialização, além de discutir perspectivas de mercado.

“O objetivo foi promover troca de experiências e disseminar informações técnicas que contribuam para o desenvolvimento da cadeia produtiva da pimenta-do-reino em Minas Gerais”, destaca o coordenador.

Mercado da pimenta apresenta variações e potencial de valorização

De acordo com técnicos da Emater-MG, o mercado da pimenta-do-reino é marcado por ciclos de forte volatilidade, com variações expressivas de preço ao longo dos anos.

Atualmente, o quilo do produto é comercializado em torno de R$ 26, mas já registrou valores próximos de R$ 7 em períodos de baixa e até R$ 40 em fases de maior valorização.

Apesar das oscilações, a especiaria mantém boa liquidez e forte demanda no mercado internacional, o que sustenta o interesse dos produtores.

Produtores destacam resultados e expansão da área plantada

A agricultora Dionísia Jardim, do município de Ataléia, relata resultados positivos após iniciar o cultivo há três anos. Segundo ela, a cultura se mostrou mais adaptável do que outras atividades agrícolas tradicionais da região.

“A pimenta-do-reino se adapta muito bem aqui, até melhor que o café. Hoje tenho cerca de sete mil pés em produção, em aproximadamente um hectare, e pretendo ampliar a área”, afirma.

A produtora também destaca a importância da assistência técnica e dos eventos de capacitação. “Falta conhecimento para muitos produtores, e esses encontros da Emater-MG ajudam bastante no desenvolvimento da cultura”, completa.

Cadeia produtiva mira organização e exportação

A comercialização da pimenta-do-reino na região já apresenta canais consolidados. Parte da produção é escoada para o Espírito Santo, de onde segue para mercados internacionais na Europa, Estados Unidos e países asiáticos.

Produtores locais também discutem a criação de uma cooperativa para fortalecer a organização da cadeia produtiva e ampliar o acesso direto ao mercado externo, com potencial de transformar a região em novo polo produtor.

Brasil no mercado global de pimenta-do-reino

O Brasil figura entre os maiores exportadores mundiais da especiaria e ocupa a segunda posição na produção global, atrás apenas do Vietnã. Cerca de 90% da produção brasileira é destinada ao mercado externo, reforçando o caráter exportador da cultura e sua importância para a geração de divisas no agronegócio nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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