Fruticultura e Horticultura

Paraná estabelece novas regras para prevenção e controle do greening nos pomares de citros

Portaria da Adapar define medidas obrigatórias para manejo da doença, cadastro de propriedades citrícolas e controle do inseto vetor no estado.


Publicado em: 18/03/2026 às 09:00hs

Paraná estabelece novas regras para prevenção e controle do greening nos pomares de citros
Foto: Pedro Henrique Aqsenen
Nova portaria reforça combate ao greening no Paraná

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) publicou uma nova portaria que estabelece critérios complementares para a prevenção e controle do greening, doença que ameaça a citricultura. As regras passam a valer em todo o estado e definem procedimentos relacionados ao manejo da praga, além de normas para produção, comércio e transporte de material de propagação de citros.

A medida aborda especificamente as bactérias responsáveis pela doença — Candidatus Liberibacter americanus e Candidatus Liberibacter asiaticus — transmitidas pelo inseto vetor Diaphorina citri.

Praga ameaça citricultura no estado

O greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), representa um dos maiores desafios para a produção de citros no Brasil. No Paraná, a citricultura é uma atividade econômica importante, especialmente em municípios das regiões Norte, Noroeste e Vale do Ribeira, na Região Metropolitana de Curitiba.

Segundo o chefe da Divisão de Sanidade da Citricultura da Adapar, Diego Juliani de Campos, a doença já está presente em 164 municípios paranaenses, incluindo áreas de grande produção.

“O greening não tem cura e pode causar perdas significativas de produtividade, queda na qualidade dos frutos e morte das plantas”, afirma o especialista.

Cadastro obrigatório de propriedades citrícolas

Entre as determinações da portaria está o cadastro obrigatório das propriedades com produção comercial de citros — como laranja, tangerina e limão — que possuam 50 plantas ou mais.

Essas propriedades terão prazo de até quatro meses para se registrar na Adapar, conforme as novas regras, que entram em vigor a partir da publicação da portaria em 10 de março.

Monitoramento e controle do inseto vetor

Nos municípios onde já há ocorrência do greening — e também nas cidades vizinhas — os produtores deverão realizar monitoramento constante do psilídeo transmissor da doença.

As medidas incluem:

  • vistoria periódica das plantas em busca de sintomas;
  • controle do inseto vetor conforme metodologia da Adapar;
  • comunicação ao órgão sobre resultados das inspeções.

Os produtores deverão enviar relatórios semestrais à agência informando o número de plantas eliminadas e os resultados do monitoramento. O modelo do documento está disponível no site da autarquia.

Eliminação gradual de plantas contaminadas

A nova regulamentação também estabelece regras para a erradicação de plantas com sintomas de HLB. O processo será realizado de forma escalonada, com prazos definidos conforme a idade das plantas.

De acordo com a portaria, todas as plantas contaminadas devem ser eliminadas em até quatro anos.

Além disso, em municípios com ocorrência da doença não será permitido manter propriedades comerciais sem manejo ou com controle considerado ineficiente.

Restrições para plantas hospedeiras e murta

A norma também estabelece limites para a presença de plantas hospedeiras da bactéria causadora da doença.

Entre as restrições estão:

  • proibição de plantas hospedeiras em propriedades sem finalidade comercial dentro de um raio de até quatro quilômetros de pomares comerciais;
  • proibição de plantas com sintomas da doença em áreas fora desse raio;
  • proibição da produção, plantio e comercialização de murta no estado.
Fiscalização e ações da Adapar

A Adapar será responsável pela fiscalização e aplicação das medidas previstas na portaria, além da realização de levantamentos fitossanitários em propriedades com citros, viveiros e estabelecimentos que comercializam mudas.

Mesmo em municípios onde a doença ainda não foi registrada, o órgão continuará monitorando áreas produtoras. Caso o greening seja identificado, a agência deverá delimitar a área afetada e aplicar medidas de contenção ou erradicação.

O que é o greening e quais os impactos

O greening é considerado uma das doenças mais graves da citricultura. A enfermidade provoca queda prematura dos frutos, redução da produção e morte precoce das plantas.

Entre os principais sintomas estão:

  • frutos menores e deformados;
  • formato irregular, semelhante ao de pera;
  • sementes abortadas;
  • menor teor de açúcares e maior acidez.

Essas alterações comprometem o sabor e o valor comercial dos frutos, afetando tanto o mercado de consumo in natura quanto a indústria de processamento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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