Moleque-da-bananeira pode causar perdas de até 80% na produção
Broca-do-rizoma ataca a estrutura interna da bananeira, reduz o desenvolvimento dos cachos e exige monitoramento constante e manejo integrado
Publicado em: 16/09/2026 às 10:35hs
A broca-do-rizoma, popularmente conhecida como moleque-da-bananeira, representa uma ameaça à produtividade dos bananais brasileiros. Quando não é controlada adequadamente, a praga pode provocar perdas de até 80% da produção, além de comprometer o desenvolvimento e a sustentação das plantas.
O inseto causa os maiores danos durante a fase larval. As larvas penetram no rizoma e abrem galerias enquanto se alimentam dos tecidos internos, prejudicando a formação de novas raízes e a absorção de água e nutrientes.
Como o ataque ocorre principalmente na parte subterrânea da bananeira, a infestação pode avançar antes que os danos sejam percebidos na área.
Sintomas ajudam a identificar a broca-do-rizoma
Os primeiros sinais do ataque podem aparecer na parte aérea da planta. Amarelecimento das folhas, secagem precoce e crescimento reduzido estão entre os sintomas que exigem atenção do produtor.
A infestação também pode provocar diminuição do tamanho dos cachos e perda de vigor das bananeiras. Nos casos mais graves, ocorre a morte da gema apical ou o tombamento da planta devido ao enfraquecimento do rizoma e do sistema radicular.
Esses efeitos comprometem a produtividade e podem reduzir a vida útil do bananal, ampliando os prejuízos para o produtor.
Mudas infestadas favorecem disseminação da praga
O transporte de material propagativo contaminado é um dos principais fatores de disseminação do moleque-da-bananeira.
Segundo Fábio Kagi, gerente de assuntos regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), mudas convencionais infestadas podem carregar ovos e larvas para áreas ainda livres da praga.
A atenção à procedência e à qualidade sanitária das mudas, portanto, deve começar antes da implantação do bananal. O cuidado reduz o risco de introdução do inseto e evita que a infestação se espalhe pela propriedade.
Monitoramento define o momento do controle
O acompanhamento frequente da lavoura é necessário para identificar a presença da broca e avaliar a intensidade do ataque. As informações obtidas durante a amostragem ajudam a determinar quando as medidas de controle devem ser iniciadas.
“Quando a amostragem atinge o nível crítico, o produtor precisa agir rápido, combinando diferentes frentes de combate”, afirma Kagi.
A demora na adoção das medidas permite que as larvas continuem se alimentando no interior do rizoma, dificultando a recuperação das plantas e elevando o risco de perdas.
Manejo integrado combina diferentes estratégias
O controle do moleque-da-bananeira pode envolver métodos culturais, biológicos, comportamentais e químicos. A estratégia deve ser definida conforme as condições da lavoura, o nível de infestação e a orientação de um profissional habilitado.
Entre as práticas citadas estão:
- limpeza do rizoma por meio do descortiçamento;
- utilização do fungo Beauveria bassiana no controle biológico;
- instalação de armadilhas com feromônio;
- aplicação de produtos registrados para a cultura.
O uso combinado dessas ferramentas tende a ampliar a eficiência do controle. No caso dos defensivos agrícolas, a aplicação deve seguir as recomendações técnicas e as condições estabelecidas no registro do produto.
Manejo protege produtividade e longevidade do bananal
O enfrentamento da broca-do-rizoma depende de ações contínuas, desde a seleção das mudas até o acompanhamento das plantas em produção. A integração entre prevenção, monitoramento e controle reduz a população da praga e limita os danos provocados no rizoma.
“A banana é uma das frutas mais consumidas no Brasil, e manter nossas culturas saudáveis, por meio do manejo correto, significa garantir que o setor continue crescendo e gerando empregos, além de preservar a alta produtividade”, ressalta Kagi.
Com identificação precoce e assistência técnica, o produtor consegue tomar decisões mais precisas, preservar a estrutura das bananeiras e reduzir o risco de perdas severas na colheita.
Fonte: Portal do Agronegócio
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