Fruticultura e Horticultura

Mercado do cacau realiza lucros após disparada de 25% em junho, mas riscos na oferta global seguem no radar

Contratos futuros recuam após forte valorização, enquanto preocupações com a próxima safra da Costa do Marfim mantêm viés de sustentação para os preços no mercado internacional.


Publicado em: 03/07/2026 às 12:00hs

Mercado do cacau realiza lucros após disparada de 25% em junho, mas riscos na oferta global seguem no radar

O mercado internacional do cacau iniciou o mês de julho em movimento de correção técnica, após registrar uma expressiva valorização ao longo de junho. A realização de lucros pressionou os contratos futuros na última sessão, mas analistas avaliam que os fundamentos continuam apontando para um cenário de oferta restrita, especialmente diante das incertezas sobre a produção na África Ocidental.

Segundo análise da StoneX, a recente queda dos preços ocorre após o mercado acumular ganhos próximos de 25% durante o mês passado, quando as cotações atingiram os maiores patamares em mais de dois meses. Apesar do recuo, o sentimento predominante entre os participantes segue sustentado pelas preocupações com o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

Contratos futuros encerram sessão em baixa

O contrato CCU26 fechou o pregão cotado a US$ 4.967 por tonelada, registrando queda de US$ 128, o equivalente a uma desvalorização de 2,51%.

A pressão vendedora se estendeu por toda a curva de vencimentos, com perdas variando entre US$ 75 e US$ 130 por tonelada. O volume negociado ficou próximo de 37 mil contratos, enquanto o open interest permaneceu praticamente estável, em torno de 185 mil lotes, indicando que os investidores mantiveram suas posições mesmo diante do movimento de realização de lucros.

Mercado segue atento à oferta global

Apesar da correção, os fundamentos continuam dando suporte ao mercado. Nas últimas semanas, operadores passaram a revisar suas expectativas em relação ao balanço global de oferta e demanda, diante dos sinais de que a produção poderá continuar abaixo do esperado nos principais países produtores.

As atenções permanecem voltadas para a Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, onde informações de mercado apontam para um desempenho abaixo das estimativas para a próxima safra.

Levantamentos realizados nas principais regiões produtoras indicam que a formação de vagens está entre as mais fracas observadas para esta época do ano nas últimas décadas. Além disso, o excesso de chuvas registrado em áreas da África Ocidental aumenta as preocupações quanto ao desenvolvimento das lavouras e ao potencial produtivo da safra intermediária.

Perspectivas para os preços do cacau

Especialistas avaliam que a recente queda representa, sobretudo, um movimento natural de ajuste após a forte valorização registrada em junho, e não uma mudança nos fundamentos do mercado.

Enquanto persistirem as incertezas sobre a produção da Costa do Marfim e de outros países da África Ocidental, o mercado deverá continuar operando com elevada volatilidade. Caso as estimativas de oferta sejam novamente reduzidas, novas altas nas cotações internacionais não estão descartadas.

Nos próximos dias, investidores acompanharão atentamente os relatórios de produção, as condições climáticas nas regiões produtoras e os embarques globais, fatores que continuarão determinando a direção dos preços do cacau no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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