Fruticultura e Horticultura

Mercado de laranja enfrenta pressão com aumento de estoques e queda nas exportações

Relatório do Itaú BBA aponta demanda internacional mais fraca, preços em queda no Brasil e maior dependência dos EUA pelo suco brasileiro


Publicado em: 23/03/2026 às 10:40hs

Mercado de laranja enfrenta pressão com aumento de estoques e queda nas exportações
Estoques elevados pressionam o mercado de laranja

O mercado de laranja segue pressionado em 2026, com aumento expressivo dos estoques de suco e desaceleração da demanda internacional. De acordo com o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o volume armazenado no meio da safra 2025/26 atingiu 616,5 mil toneladas, o maior nível para o período desde 2021.

Esse avanço está diretamente ligado à maior produção da safra atual, estimada em 292,6 milhões de caixas, número 27% superior ao ciclo anterior, embora ainda abaixo da média histórica dos últimos anos.

Ao mesmo tempo, a redução da demanda — especialmente por parte da União Europeia — contribuiu para o desequilíbrio entre oferta e consumo, mantendo o mercado sob pressão.

Exportações recuam e impactam preços internos

O enfraquecimento da demanda externa também se reflete nas exportações brasileiras. Nos primeiros oito meses da safra, os embarques de suco de laranja para a União Europeia recuaram 18%, enquanto o total exportado globalmente caiu 3,8% em relação à safra anterior.

Esse cenário impacta diretamente o mercado interno. Segundo dados do Cepea, o preço da laranja caiu, com a caixa de 40,8 kg sendo negociada a R$ 32, valor cerca de 12% inferior ao registrado um mês antes.

A combinação de maior oferta e menor demanda reforça o viés de desvalorização no curto prazo, exigindo atenção dos produtores e da indústria.

EUA seguem dependentes do suco brasileiro

Apesar do recuo nas exportações totais, os Estados Unidos permanecem como um importante destino para o suco brasileiro. A produção de laranja na Flórida segue limitada, com previsão de 12 milhões de caixas na safra, queda de 1,6% em relação ao ciclo anterior.

Problemas estruturais como:

  • envelhecimento dos pomares;
  • incidência de doenças como o greening;
  • impactos climáticos recorrentes, incluindo furacões;
  • continuam restringindo a produção norte-americana.

Com isso, o Brasil mantém papel estratégico no abastecimento do mercado dos EUA. Nos primeiros meses da safra, os embarques para o país cresceram 22%, somando cerca de 256 mil toneladas.

Preços do suco caem na exportação, mas seguem altos no varejo

Outro destaque do relatório é o comportamento divergente dos preços ao longo da cadeia. O preço de exportação do suco de laranja caiu significativamente, atingindo cerca de US$ 2.658 por tonelada (equivalente FCOJ) em janeiro de 2026.

Por outro lado, no varejo norte-americano, os preços continuam em níveis elevados, com o produto sendo vendido a aproximadamente US$ 4,87 por lata de 473 ml, indicando que o consumo segue resiliente.

Esse descompasso sugere que os agentes da cadeia ainda não repassaram integralmente a queda dos preços internacionais ao consumidor final.

Perspectivas: mercado segue cauteloso

O cenário para o mercado de laranja permanece de cautela, diante do desequilíbrio entre oferta e demanda. A combinação de estoques elevados, exportações mais fracas e preços internos pressionados deve continuar influenciando as negociações no curto prazo.

Por outro lado, a dependência dos Estados Unidos pelo suco brasileiro e a resiliência do consumo internacional podem atuar como fatores de sustentação, evitando quedas mais acentuadas.

O acompanhamento da demanda externa, do ritmo de exportações e da evolução da safra será determinante para definir o comportamento dos preços ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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